terça-feira, 24 de janeiro de 2017

São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja

Nota biográfica:
       Nasceu na Sabóia no ano 1567. Ordenado sacerdote, trabalhou muito pela restauração da fé católica na sua pátria. Eleito bispo de Genebra, mostrou-se verdadeiro pastor do clero e dos fiéis, instruindo-os com os seus escritos e obras, feito modelo para todos. Morreu em Lião a 28 de Dezembro de 1622, mas foi sepultado definitivamente em Annecy a 24 de Janeiro do ano seguinte.
Oração de coleta:
       Senhor nosso Deus, que, para a salvação das almas, quisestes que São Francisco de Sales se fizesse tudo para todos, concedei-nos que, seguindo o seu exemplo, dêmos testemunho do vosso amor ao serviço dos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Da «Introdução à Vida Devota», de São Francisco de Sales, bispo (Parte 1, cap. 3) (Sec. XVII)

A devoção deve ser praticada de diversos modos

Na criação Deus ordenou às plantas que produzissem os seus frutos, cada qual segundo a sua espécie; do mesmo modo ordena Ele aos cristãos, que são as plantas vivas da sua Igreja, que produzam frutos de devoção, cada qual segundo a sua qualidade, o seu estado e a sua vocação.
A devoção deve ser exercida de maneira diferente pelo fidalgo e pelo operário, pelo criado e pelo príncipe, pela viúva, a solteira ou a mulher casada; e não somente isto: é necessário acomodar o exercício da devoção às forças, aos trabalhos e aos deveres de cada pessoa em particular.
Pergunto-vos, Filoteu, se estaria certo que um bispo quisesse viver na solidão como os Cartuxos; que os casados não quisessem amealhar mais que os Capuchinhos; que o operário passasse o dia na Igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre sujeito a toda a espécie de encontros para serviço do próximo como o bispo. Não seria ridícula, desordenada e inadmissível tal devoção?
Contudo este erro acontece frequentemente. E no entanto, Filoteu, a devoção não prejudica ninguém quando é verdadeira, antes tudo aperfeiçoa e consuma; e quando se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é sem dúvida falsa.
A abelha extrai o mel das flores sem lhes fazer mal, deixando-as intactas e frescas como as encontrou; todavia, a verdadeira devoção age melhor ainda, porque não somente não prejudica qualquer espécie de vocação ou de tarefa, como ainda as engrandece e embeleza.
Todas as variedades de jóias lançadas no mel se tornam mais brilhantes, cada qual segundo a sua cor; assim também cada um se torna mais agradável e perfeito na sua vocação se esta for conjugada com a devoção: a atenção à família torna-se mais paciente, o amor entre marido e mulher mais sincero, mais fiel o serviço que se presta ao príncipe, e mais suave e agradável o desempenho de todas as ocupações.
É um erro, se não mesmo uma heresia, querer banir a vida devota do regimento dos soldados, da oficina dos operários, da corte dos príncipes, do lar das pessoas casadas. É certo, Filoteu, que a devoção puramente contemplativa, monástica e religiosa não pode exercer-se em tais ocupações; mas para além destas três espécies de devoção, existem muitas outras próprias para o aperfeiçoamento daqueles que vivem nos estados seculares.
Onde quer que estejamos, podemos e devemos aspirar à vida perfeita.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

GJT na Oração pela Unidade dos Cristãos - 2017

       O Grupo de Jovens da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Tabuaço marcou presença, mais uma vez, no momento de oração, proposto pelos jovens da Paróquia de Santa Maria de Almacave, e sob o patrocínio do Departamento Diocesano da Pastoral dos, em concordância com o Serviço Diocesano do Diálogo Ecuménico e Inter-Religioso, no passado dia 21 de janeiro, em plena Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
       Num formato habitual, ao jeito da comunidade de Taizé, com textos, orações, silêncios, gestos, para conjuntamente rezarmos e refletirmos, procurando a harmonia e a unidade, não apenas entre Igrejas cristãs, mas dentro da Igreja católica, nas comunidades e nos grupos.

       Algumas fotos desta iniciativa:
Para outras fotos visitar a Paróquia de Tabuaço no Facebook.

Tudo será perdoado aos filhos dos homens...

       Os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: «Está possesso de Belzebu», e ainda: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Mas Jesus chamou-os e começou a falar-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode aguentar-se. E se uma casa estiver dividida contra si mesma, essa casa não pode aguentar-se. Portanto, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não pode subsistir: está perdido. Ninguém pode entrar em casa de um homem forte e roubar-lhe os bens, sem primeiro o amarrar: só então poderá saquear a casa. Em verdade vos digo: Tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e blasfémias que tiverem proferido; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca terá perdão: será réu de pecado eterno». Referia-Se aos que diziam: «Está possesso dum espírito impuro» (Mc 3, 22-30).
        Nesta disputa com os fariseus e doutores da lei, Jesus salienta como a Salvação veio até à humanidade, até à história e que Deus é na Sua essência um Deus de misericórdia. Por outro lado, o evangelho evidencia como Jesus cumpre com as promessas de Deus ao seu povo, n'Ele Se manifesta o poder de Deus.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Domingo III do Tempo Comum - ano A - 22 de janeiro

       1 – O ser humano aspira a ser cada vez melhor, a possuir cada vez mais, a ter um controlo maior sobre a sua vida! "O homem ultrapassa infinitamente o homem" (Blaise Pascal). Está inscrito no coração de cada homem a adaptação à realidade que o circunda, desde que nasce, e a superar as dificuldades que o tolhem, a não estacionar numa fase da vida, a procurar superar-se a si mesmo, aprendendo mais, procurando novas ferramentas para facilitar a sua vida e a daqueles que lhe são próximos. Subentende-se a generosidade intrínseca do ser humano. O ser humano é naturalmente bom, a sociedade é que o corrompe (Jean-Jacques Rousseau). Sublinhe-se que esta é só meia verdade, já que a sociedade influi na pessoa e a pessoa influencia a sociedade em cada tempo.
       Este superar-se e procurar ultrapassar os limites, criando, inovando, desenvolvendo, de maneira a que nem o corpo nem o espírito paralisem este desejo, esta vontade de transformar o mundo, de superar os condicionamentos do tempo e do espaço, para viver mais tempo, para estar em todo o lado, acompanha-nos durante toda a vida.
       A conversão, recorrente no Evangelho, traduz este anseio do ser humano em ultrapassar as dificuldades, sem as contornar, mas assumindo-as, carregando-as, não como fardo, mas como experiência motivadora que nos fortalece e enriquece. O arrependimento, para crer no Evangelho, é o vínculo à humanização da sociedade. Não basta querer mais. É urgente que o mais que se quer seja partilha, que o trabalho e o génio sejam dom e tarefa, acolhendo o amor de Deus e espalhando-o por todos, em tudo o que se diz e em tudo o que se faz. E, desta forma, esta vontade em “ser mais” deverá ser sobretudo da ordem do ser e menos da ordem do ter. É o SER que nos humaniza, é o ser que nos coloca em relação com os outros. Antes, o SER de Deus vem até nós e Se relaciona connosco, remetendo a nossa relação com os outros para esta relação primeira e fontal (Deus é a fonte, é Ele que toma a iniciativa de nos criar e de nos salvar), purificando-a de qualquer instrumentalização ou idolatria.
       2 – O ministério de Jesus e de João Batista não se contrapõe nem se justapõe. A mensagem de Jesus não recusa nem anula a mensagem de João, mas também não é sequencial. Entrelaçam-se. João prepara, dulcifica as mentes e os corações, adverte, desafia à conversão e à mudança de vida, para que um olhar renovado possa ver e reconhecer Aquele que há de vir da parte de Deus. Se o olhar é turvo, embaciado, não perceberá a presença de Deus no mundo e na história.
       Jesus é novidade, pois é MAIS que o Messias esperado, o Rei prometido ou um qualquer Profeta. É o próprio filho de Deus, Deus connosco. Irrompe no tempo, para ser Um de nós. Vêm de Deus, é Filho de Deus, para nascer e crescer como filho do Homem e para caminhar connosco, confundindo-Se, propondo a Sua mensagem de amor e de perdão, convocando-nos, pelas palavras e pelos gestos, a vivermos como Ele, com compaixão e ternura, em lógica de serviço para gastarmos a vida inteira a favor dos outros.
       Jesus não faz tudo sozinho! Deus é Pai e Filho e Espírito Santo. É comunidade de vida e de amor, em Quem não há divisão nem contraposição nem confusão, em Quem o amor circula como a seiva pelas vides ou o sangue pelas veias. É esta comunidade que Jesus vem inaugurar na terra. N'Ele enxerta-se uma vida nova, novos céus e nova terra. D'Ele dimana, como rios de água a brotar da fonte, uma vida nova, de verdade e bênção, de alegria e justiça, de amor misericordioso. A vida divina que chega a nós, por Jesus Cristo, é um projeto que nos impele à imitação, a vivermos do mesmo jeito, deixando que seja o amor a circular nas nossas veias, no nosso olhar, no nosso coração, na nossa vida. Mais, a vida divina, em Jesus Cristo, já está entrelaçada na vida humana. A comunidade que somos chamados a formar já tem vida onde se agarrar, para crescer, já tem onde afundar as suas raízes.
       3 – Ao ser batizado por João no rio Jordão, como víamos na semana passada, Jesus assume publicamente a Sua missão de anunciar o Evangelho. Porém, segundo nos revela São Marcos, só depois da prisão de João Batista é que Jesus altera em definitivo e mais claramente a sua ação, retirando-Se para a Galileia. Deixa Nazaré e vai viver em Cafarnaum, terra à beira-mar. Se por um lado, a missão de Jesus não se sobrepõe à de João Batista, por outro lado, insere-se na mesma história da salvação. O elemento novo, que marca uma rutura de qualidade, é o facto de Jesus ser o Profeta por excelência, o próprio Filho do Deus Altíssimo, levando à plenitude o tempo e a história, inaugurando, em definitivo, um reino para Deus. «O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou».
       Estas palavras ainda cheiram a Natal. «Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor».
       Jesus é a luz que nos liberta de tudo o que nos oprime, inunda as trevas com a Sua presença, revitaliza os ossos ressequidos e potencia os sonhos de um mundo melhor, mais humano, mais fraterno.
       Conta comigo e contigo. Conta connosco. Não faz nada sozinho. Não Se impõe a partir do alto. Não emite uma ordem mantendo-Se à distância. Não há n'Ele traços de sobranceria. Abaixa-Se. Coloca-Se ao meu nível, ao teu nível. Faz-Se do nosso tamanho. E, por conseguinte, nos chama, nos desafia e nos envia. «Vinde e segui-Me e farei de vós pescadores de homens».
       Simão Pedro e André, João e Tiago escutam o Seu chamamento e deixam as redes, deixam o que estavam a fazer para se tornarem, com Ele, pescadores de homens. Logo O seguem no anúncio do Evangelho, pela Galileia, proclamando a salvação, curando as enfermidades e as doenças entre o povo.
       E nós, como respondemos ao chamamento de Jesus? Largamos as redes e as amarras que nos prendem aos preconceitos, ao conforto, ao nosso cantinho? Ou tornamo-nos discípulos missionários, acolhendo Jesus em todas as circunstâncias e levando-O a todos?

       4 – João Batista deixa-nos como herança a humildade e o apontar para Jesus. Como Precursor toma consciência que prepara o caminho do Senhor. Ganhou fama, arrastou centenas de pessoas ao deserto e ao Jordão, batizou o próprio Jesus, mas no final soube que a (sua) Voz tinha que dar lugar à Palavra (Jesus), e o deserto (onde prega) convida a entrar na Terra prometida (que para nós é Jesus): A sua missão cumpre-se ao mostrar o Messias de Deus. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Sobre Ele desceu o Espírito Santo, Ele é mais forte do que eu, Ele batiza no fogo e no Espírito Santo. Os próprios discípulos de João compreendem este testemunho e seguem Jesus.
       O Apóstolo São Paulo, dirigindo-se à comunidade de Corinto, sublinha a primazia de Jesus Cristo. Uma primazia totalizante. Vem primeiro. É o fundador. Mas é também a referência e a meta de toda a evangelização. Poderá haver no meio de vós, diz o Apóstolo, alguns mais afetos a Pedro, a Apolo, a Paulo ou a Cristo, mas há um só Deus, que é Pai e que Se manifesta em plenitude no Seu Filho, Jesus Cristo, pelo Espírito Santo. Se a fé é a mesma, se o batismo é o mesmo, se Deus é Pai de todos, e todos somos irmãos em Cristo Jesus, não faz sentido haver contendas e ruturas. «Rogo-vos, pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma linguagem e que não haja divisões entre vós, permanecendo bem unidos, no mesmo pensar e no mesmo agir». Todos recebeste o mesmo batismo de Jesus.
       Como João batista, como São Paulo, o cristão é discípulo missionário de Jesus, acolhendo-O, vivendo-O, testemunhando-O e anunciando o Seu Evangelho a toda a criatura, em toda a parte, em todo o tempo.


Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Is 8, 23b – 9, 3 (9, 1-4); Sl 26 (27); 1 Cor 1, 10-13. 17; Mt 4, 12-23.

Santa Inês, virgem e mártir

Nota biográfica:
       É uma das santas mais veneradas pela comunidade de Roma. Foi martirizada em Roma na segunda metade do século III ou, mais provavelmente, no princípio do século IV, no ano de 304, talvez. Tinha 13 anos, era uma adolescente, de extraordinária beleza, rica e nobre e virtuosa. A cobiça de jovens como Procópio, filho do Prefeito de Roma, Semprónio.
       Para Inês a decisão estava tomada: não cederia aos encantos de qualquer jovem. Julgado e condenada a incensar os ídolos, a sua recusa leva-la-á à morte: "Virgens a Cristo consagradas não portarão tais lâmpadas, pois este fogo não é fé. Mas o meu sangue pode apagar este braseiro. Podem me ferir com suas espadas, mas nunca conseguirão profanar meu corpo consagrado a Cristo!" Foi exposta nua num prostíbulo no Circo de Domiciano (hoje a famosa praça Navona, onde se ergue a Basílica de Santa Inês in Agone). Foi decapitada. O papa S. Dâmaso adornou com versos o seu sepulcro e muitos santos Padres, seguindo S. Ambrósio, celebraram os seus louvores.
       É também conhecida como Santa Inês de Roma ou Santa Agnes (cordeiro). Exames forenses realizados recentemente ao crânio da jovem que se encontrava no tesouro de relíquias do "Sancta Sanctorum" da Basílica de Latrão comprovaram que se trata do crânio de uma menina de 13 anos.
       Nos quadros é representada frequentemente com um cordeiro junto a si, até porque o seu nome provém do  latim "agnus" (cordeiro) e um lírio, símbolo da pureza.
       É neste dia que o Papa benze os cordeirinhos dos quais será retirada a lã para confeccionar os pálios usados pelo Papa e pelos Arcebispos. No início era usada pele de cordeiro aos ombros.
O pálio usado por cima da casula. O Papa com o pálio que usava no início, e a forma do pálio actual. Várias arcebispos, depois de terem sido investidos com o pálio. No pálio papal, a cruz é vermelha, nos pálios dos arcebispos a cruz é em preto.

Oração de colecta:
       Deus eterno e omnipotente, que escolheis os mais frágeis do mundo para confundir os fortes, concedei que, celebrando o martírio de Santa Inês, imitemos a constância da sua fé. Por Nosso Senhor.
(Celebração em que o Papa Francisco coloca os pálios aos Arcebispos, em 2013 e em 2014)
Santo Ambrósio, bispo, sobre as virgens

Ainda não apta para o sofrimento e já madura para a vitória

Celebramos uma virgem: imitemos a sua integridade. Celebramos a mártir: ofereçamos sacrifícios.
Celebramos Santa Inês. Conta-se que teria sofrido o martírio com doze anos. Quanto mais detestável se mostra a crueldade que nem a infantil idade poupou, tanto maior é a força da fé que até naquela idade encontrou testemunho.
Em corpo tão pequeno haveria sequer espaço para os sofrimentos? Mas aquela que quase não tinha tamanho para ser ferida pela espada, teve forças para vencer a espada. E contudo, as meninas desta idade não suportam sequer o rosto zangado dos pais e choram como se de feridas se tratasse por causa da picada de um alfinete.
Mas Inês permanece impávida entre as mãos dos cruéis algozes, imóvel perante o pesado e estridente arrastar das cadeias. Oferece o corpo à espada do soldado furibundo, sem saber o que é a morte, mas pronta para ela; levada à força até ao altar dos ídolos, estende as mãos para Cristo entre as chamas de fogo, e no próprio lume do sacrilégio assinala o troféu do Senhor vitorioso; por fim introduz o pescoço e as mãos nos aros de ferro, mas nenhum elo é suficientemente apertado para reter membros tão pequenos.
Novo género de martírio! Ainda não apta para o sofrimento e já madura para a vitória; mal pode combater e facilmente triunfa; dá uma lição de fortaleza, apesar da sua tão tenra idade. Nenhuma noiva se adiantaria para o leito nupcial com aquela alegria com que a virgem avançou para o lugar do suplício, levando a cabeça enfeitada não de tranças mas de Cristo, e coroada não de flores mas de virtudes.
Todos choram, só ela não tem lágrimas. Todos se admiram de que tão generosamente entregue a sua vida quem ainda não a começara a gozar, como se já a tivesse vivido plenamente. A todos espanta que se levante já como testemunha de Deus uma criança, que, pela idade, não podia ainda dar testemunho de si mesma. E afinal foi fidedigno o testemunho que deu acerca de Deus esta criança que ainda não podia testemunhar a respeito de um homem; porque o que ultrapassa a natureza, pode fazê-lo o Autor da natureza.
Quantas ameaças do algoz para que ela se atemorizasse, quantas seduções para que se convencesse, quantas promessas para que o desposasse! Mas a sua resposta foi esta: «É uma ofensa ao Esposo fazer-se esperar; aquele que primeiro me escolheu para Si, esse é que me receberá. Porque demoras, verdugo? Pereça este corpo, que pode ser amado por quem eu não quero». Levantou-se, rezou, inclinou a cabeça.
Terias podido ver o carrasco perturbar-se, como se fosse ele o condenado; tremer a mão direita do verdugo; empalidecerem-se os rostos, temerosos do perigo alheio, enquanto a jovem não temia o próprio.
Tendes numa única vítima dois martírios, o da pureza e o da fé. Permaneceu virgem e foi mártir.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aniversário da Ordenação Episcopal de D. Jacinto

       D. Jacinto Tomaz de Carvalho Botelho, natural de Moimenta da Beira (Prados de Cima - Vila da Rua), nasceu em 11 de Setembro de 1935.
       Entrou para o Seminário de Resende em 1946 e foi ordenado, no dia 15 de agosto de 1958, ano em que morreu o Papa Pio XII. Celebrou os 50 anos de Sacerdócio no dia 15 de agosto de 2008. Depois da Ordenação foi estudar para Roma.
       Concluídos os estudos em História da Igreja, regressou à Diocese de Lamego, concretamente ao Seminário Maior, sendo professor e integrando-se na Equipa Formadora, vindo a assumir a responsabilidade do Seminário. Entretanto, assumiu outras missões, como Vigário Geral Adjunto e Vigário Geral da Diocese. Durante algum tempo foi pároco de Sande (Lamego).
       Foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga e a sua ordenação Episcopal, na Sé Catedral de Lamego, foi no dia 20 de janeiro de 1996, dia de São Sebastião, Padroeiro de Lamego.
       Depois da morte de D. Américo Couto de Oliveira, Bispo antecessor, viria a assumir a responsabilidade da Diocese, tomando posse no dia 19 de março de 2000. No dia 8 de julho de 2000, seria ordenado o primeiro padre, na Diocese, pelas suas mãos, e que é o Pároco de Tabuaço, Pe. Manuel Gonçalves.
       Atualmente a residir na cidade de Lamego, é Bispo Emérito deste nossa Diocese, desde o dia 29 de janeiro de 012, dia da tomada de posse de D. António Couto, como Bispo de Lamego.
       Parabéns D. Jacinto e que a Senhora dos Remédios, a Senhora da Lapa, a Senhora da Conceição, a Senhora da Assunção, a Mãe de Jesus Cristo, continue a velar pelo seu ministério sacerdotal e episcopal.

São Sebastião - Testemunha fiel de Cristo

       Celebrámos, neste dia 20 de janeiro, na nossa Diocese de Lamego, a solenidade do Padroeiro principal, mártir São Sebastião, o bom soldado de Cristo. O patrono escolhido deverá ser uma referência que inspire a viver o Evangelho na identificação com Jesus Cristo, morto e ressuscitado.
       Quando uma terra e/ou uma comunidade escolhe um patrono isso deve-se ao seu carisma e à vontade de seguir a sua determinação e o exemplo da sua vida. Os santos mártires ganharam uma enorme projeção nas comunidades cristãs dos primeiros séculos e pelos séculos seguintes.
       É nesta perspetiva que São Sebastião, Santa Eufémia, Santa Inês, Santa Luzia, São Vicente, diácono, Santa Bárbara, se impõem por todo o mundo cristão, pelo testemunho de fidelidade ao Evangelho, a Jesus Cristo, arriscando a própria vida. Foi também uma forma de catequizar as comunidades, pregar através de exemplos concretos.
       A vida de São Sebastião, naquilo que a tradição assimilou e transmitiu, é um exemplo como a fé ajuda a ultrapassar os obstáculos da vida e como o cristão se pode santificar nas mais diversas profissões e/ou ocupações. Mais forte que tudo é o amor a Deus.
       Descendente de uma família nobre, terá nascido em Narbona, sul de França, em meados do século III. Segundo a maioria dos estudiosos, os seus pais eram de Milão, onde cresceu até se mudar para Roma. Mas também há quem defenda que o pai era natural de Narbona e Sebastião tenha nascido em Milão.
       Em nome da religião enveredou por uma carreira militar, para desse modo defender os cristãos que sofriam uma terrível perseguição. As suas qualidades são amplamente elogiadas: figura imponente, prudência, bondade, bravura, era estimado pela nobreza e respeitado por todos.
       De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.
       O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Animava os condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo.
       Primeiro cai nas graças do imperador, logo a defesa da fé cristã e a intercessão pelos cristãos perseguidos desencadeiam a sua morte. Cada novo mártir que surgia tornava-se um alento e um desafio para Sebastião. Foi denunciado por Fabiano, então Governador Romano. Diocleciano acusou-o de ingratidão. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto.
       A iconografia é muito plástica a seu respeito, inconfundível. São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas, e surge preso a um tronco de árvore.
       Entretanto uma jovem, de nome Irene (santa Irene?) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Ainda não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e persistência voltou junto do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e injustiça.
       Diocleciano mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado à Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Faleceu a 20 de janeiro de 288, ou 300.
       Logo após o seu martírio começou a ser venerado como santo.
       Testemunhou a fé, com coragem e alegria, a partir da sua vida, como jovem soldado, cristão. Daqui se conclui que a santidade é possível em qualquer trabalho, em qualquer vocação, em qualquer compromisso humano.
       O tempo e o ambiente em que vivemos não é de perseguição declarada aos cristãos, mas a nossa tarefa não é mais fácil que a de São Sebastião. A sua fé confrontou-se com a perseguição, ajudando aqueles que estavam próximos de desanimar.
       Quantas vezes nos deixamos contagiar por um contexto, por valores e leis contrários à fé que professamos? Quantas oportunidades para nos afirmarmos cristãos? Quantas formas de perseguição aos valores que defendemos? Quantos cristãos precisam que os animemos na sua fé, na sua caminhada espiritual?!
       Vale a pena ler e meditar um texto de SANTO AMBRÓSIO sobre o Salmo 118, apresentando São Sebastião como testemunha fiel de Cristo, e que é hoje apresentado na Liturgia das Horas:

Testemunha fiel de Cristo

É necessário passar por muitas tribulações para entrar no reino de Deus. As muitas perseguições correspondem muitas provações: onde há muitas coroas de vitória tem de ter havido muitos combates. É bom para ti que haja muitos perseguidores, pois entre tantas perseguições mais facilmente encontrarás o modo de ser coroado.
Consideremos o exemplo do mártir Sebastião, que hoje celebramos.
Nasceu em Milão. Talvez o perseguidor já se tivesse afastado, ou talvez ainda não tivesse vindo a este lugar, ou seria mais condescendente. De qualquer modo, Sebastião compreendeu que aqui, ou não haveria luta, ou ela seria insignificante.
Partiu para Roma, onde grassavam severas perseguições por causa da fé; aí foi martirizado, isto é, aí foi coroado. Deste modo, ali onde tinha chegado como hóspede, encontrou a morada da imortalidade eterna. Se não houvesse mais que um perseguidor, talvez este mártir não tivesse sido coroado.
Mas o pior é que os perseguidores não são só aqueles que se veem: há também os que não se veem, e estes são muito mais numerosos.
Assim como um único rei perseguidor emitia muitos decretos de perseguição, e desse modo havia diversos perseguidores em cada uma das cidades ou das províncias, também o diabo envia muitos servos seus a mover perseguições, não apenas no exterior, mas dentro da alma de cada um.
Destas perseguições foi dito: Todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus sofrem perseguição. E disse ‘todos’, não excluiu nenhum. Quem poderia na verdade ser excetuado, quando o próprio Senhor suportou os tormentos das perseguições?
Quantos há que, em segredo, todos os dias são mártires de Cristo e dão testemunho do Senhor Jesus! Conheceu esse martírio aquele apóstolo e testemunha fiel de Cristo, que disse: Esta é a nossa glória e o testemunho da nossa consciência.

FONTES:
J. H. BARROS DE OLIVEIRA (2003). Santos de todos os Tempos, Apelação: Paulus Editora
Publicado originalmente no blogue da Diocese de Lamego.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Veio ter com Jesus uma grande multidão...

       Veio ter com Jesus uma grande multidão, por ouvir contar tudo o que Ele fazia. Disse então aos seus discípulos que Lhe preparassem uma barca, para que a multidão não O apertasse. Como tinha curado muita gente, todos os que sofriam de algum padecimento corriam para Ele, a fim de Lhe tocarem. Os espíritos impuros, quando viam Jesus, caíam a seus pés e gritavam: «Tu és o Filho de Deus». Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer (Mc 3, 7-12).
       Depois de algumas intervenções milagrosas e da pregação envolvente, Jesus é seguido por numerosa multidão em busca de um sentido novo. Nem todos terão a mesma motivação. Uns por curiosidade, outros à espera de verem milagres, outros a fim de obterem algum benefício próprio, outros porque não têm nada melhor para fazer, outros levados pelos amigos, outros por sentirem que em Jesus encontra a cura física e/ou espiritual.
       Não tenhamos preconceito de fazer parte desta multidão que corre atrás de Jesus. Pelo contrário, sintamo-nos confortáveis ao segui-l'O, ao procurá-l'O...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Haverá dias para fazer o bem?

       Jesus entrou de novo na sinagoga, onde estava um homem com uma das mãos atrofiada. Os fariseus observavam Jesus para verem se Ele ia curá-lo ao sábado e poderem assim acusá-l’O. Jesus disse ao homem que tinha a mão atrofiada: «Levanta-te e vem aqui para o meio». Depois perguntou-lhes: «Será permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la?». Mas eles ficaram calados. Então, olhando-os com indignação e entristecido com a dureza dos seus corações, disse ao homem: «Estende a mão». Ele estendeu-a e a mão ficou curada. Os fariseus, porém, logo que saíram dali, reuniram-se com os herodianos para deliberarem como haviam de acabar com Ele (Mc 3, 1-6).
        Para fazer o bem todos os dias são bons. Para fazer o mal nenhum dia deveria ser utilizado.
       Esta é a mensagem de Jesus, ontem como hoje. Para os fariseus e outros que mais, o mais importante é garantir o cumprimento escrupuloso da lei. A lei, e neste concreto a Lei de Moisés, não pode ser usada para impedir o bem, para o não-compromisso. Antes da Lei e paa lá da Lei estão as pessoas que Deus ama. Para Jesus, o fundamental é atender à pessoa, estar ao seu serviço e fazer o que está ao seu alcance para proporcionar bem-estar, paz, e saúde. Jesus testemunha a atenção de Deus às pessoas de carne e osso e neste gesto a certeza que Deus continua a agir no mundo. No sinal da cura, a certeza que Deus nos ama e nos quer bem.Assim com Jesus. Assim há de ser connosco.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Santo Antão, Abade

Nota biográfica:
       Este insigne pai do monaquismo nasceu no Egipto cerca do ano 250. Depois da morte de seus pais, distribuiu os seus haveres pelos pobres e retirou-se para o deserto, onde começou a sua vida de penitente. Teve numerosos discípulos e trabalhou em defesa da Igreja, animando os confessores na perseguição de Diocleciano e apoiando S. Atanásio na luta contra os arianos. Morreu no ano 356.
Oração de Colecta:
       Senhor nosso Deus, que destes a Santo Antão a graça de viver uma vida heróica na solidão do deserto, concedei-nos, por sua intercessão, que, renunciando a nós mesmos, Vos amemos sempre sobre todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Da Vida de Santo Antão, escrita por Santo Atanásio, bispo

A vocação de Santo Antão

Depois da morte de seus pais, tendo ficado com uma irmã ainda pequena, Antão, que tinha uns dezoito ou vinte anos, tomou conta da casa e da irmã.
Não tinham passado ainda seis meses do falecimento de seus pais, quando um dia em que se dirigia, segundo o seu costume, para a igreja, ia refletindo sobre a razão que levara os Apóstolos a abandonar tudo para seguir o Salvador e por que motivo também aqueles homens de que se fala nos Atos dos Apóstolos vendiam tudo o que possuíam e depunham o preço aos pés dos Apóstolos para que o distribuíssem aos pobres; e ia pensando na grande e maravilhosa esperança que lhes estava reservada nos Céus. Meditando nestas coisas, entrou na igreja mesmo no momento em que se lia o Evangelho e ouviu o que o Senhor disse ao jovem rico: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me, e terás um tesouro nos Céus.
Então, considerando que a recordação dos santos exemplos lhe tinha sido enviada por Deus e que aquelas palavras eram dirigidas pessoalmente para ele, logo que voltou da Igreja, Antão distribuiu pelos habitantes da região as propriedades que herdara da família (possuía trezentos campos muito férteis e amenos), para que aquelas não fossem motivo de inquietação para si e para a sua irmã. Vendeu também todos os móveis e distribuiu pelos pobres a grande quantia que assim obtivera, conservando apenas uma pequena parte por causa da irmã.
Tendo entrado outra vez na igreja, ouviu o Senhor dizer no Evangelho: Não vos inquieteis com o dia de amanhã. Não conseguiu permanecer ali mais tempo. Saiu, e até aquele pouco que guardara distribuiu pelos pobres. Confiou a irmã a uma comunidade de virgens consagradas que conhecia e considerava fiéis, para que fosse educada no Pártenon. Quanto a ele, livre já de cuidados alheios, entregou-se a uma vida de ascese e rigorosa mortificação nas imediações da sua casa.
Trabalhava com as suas mãos, pois ouvira a palavra da Escritura: Quem não quiser trabalhar não coma. Do fruto do seu trabalho destinava uma parte para comprar o pão que comia; o resto distribuía-o pelos pobres.
Rezava constantemente, pois aprendera que é preciso rezar interiormente sem cessar; era tão atento à leitura que nada lhe esquecia do que tinha lido na Escritura: tudo retinha de tal maneira que a sua memória acabou por substituir o livro.
Todos os habitantes do lugar e os homens honrados que tratavam com ele, vendo um homem assim, chamavam-lhe amigo de Deus; e uns amavam-no como filho, outros como irmão.

O Filho do homem é Senhor do Sábado

       Passava Jesus através das searas num dia de sábado e os discípulos, enquanto caminhavam, começaram a apanhar espigas. Disseram-Lhe então os fariseus: "Vê como eles fazem ao sábado o que não é permitido". Respondeu-lhes Jesus: "Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade e sentiu fome, ele e os seus companheiros? Entrou na casa de Deus, no tempo do sumo sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, que só os sacerdotes podiam comer, e também os deu aos companheiros". E acrescentou: "O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado" (Mc 2, 23-28).
       Em continuidade com as leituras de ontem, o Evangelho para este dia motra como por vezes a religião e as suas radições podem ser usadas contra o outro. Jesus lembra-nos que o essencial está no coração, na conversão interior. A Lei, como todos os preceitos, valem enquanto estão ao serviço do ser humano e da sua dignidade. As leis devem ser elaboradas para favorecer a vida humana e o relacionamento saudável entre pessoas, e entre estas e as instiuições...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Porque motivo os teus discípulos não jejuam?!

       «Por que motivo jejuam os discípulos de João e os fariseus e os teus discípulos não jejuam?». Respondeu-lhes Jesus: «Podem os companheiros do noivo jejuar, enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo consigo, não podem jejuar. Dias virão em que o noivo lhes será tirado; nesses dias jejuarão. Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica maior. E ninguém deita vinho novo em odres velhos, porque o vinho acaba por romper os odres e perdem-se o vinho e os odres. Para vinho novo, odres novos» (Mc 2, 18-22).
       Jesus relembra àqueles que murmuram que para tudo há tempo. Importa viver cada momento, com o máximo empenho. Deixar as preocupações do amanhã para amanhã, avançar em relação às dificuldades superadas do passado, não se fixando obsessivamente nos dias de ontem. Para apreciar com sabedoria e generosidade cada tempo, cada oportunidade, cada encontro. De contrário nada se vive com sentido. O tempo é novo, diz Jesus, há que aproveitar a presença de Deus no meio de nós.
       Dias virão em que não sentiremos a Sua presença, mas a recordação dos tempos felizes, podem servir de lenitivo e de desafio a uma nova procura de Deus. O evangelho levanta um pouco o véu do que irá acontecer com Jesus. Será morto. O noivo ser-lhes-á e ser-nos-á tirado. O jejum, então, será uma forma de nos dispormos a descobrir a presença de Deus, a presença de Jesus, vivo, no meio de nós. Nesses dias jejuaremos de tudo o que tolhe o nosso olhar, a nossa vida, e que nos faz desconfiar e viver inseguros.
       HOJE, aqui e agora, Jesus nos interpela a vivermos o melhor que sabemos e podemos. Com a intensidade, como se fosse uma final, evocando a realidade do futebol. O jogo de amahã ainda está para acontecer. O jogo de ontem, independentemente do resultado, já está. HOJE é novo jogo, entremos com todas as nossas energias, capacidades, talentos.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Domingo II do Tempo Comum - ano A - 15 de janeiro

       1 – Um Paraíso! Onde? Quando? Alguém ainda se lembra de um mundo em paz, a viver em harmonia? Olhando para trás vemos lutas, guerras, genocídios, fratricídios, violência, escravização. Olhando para os lados, vemos agressões, corrupção, egoísmos que degeneram em ódios e vinganças, em invejas que destroem, assassinam, oprimem, agridem. Olhando para o futuro, com estes olhos que a terra há de comer, o que lá vem parece mais do mesmo: a violência que hoje semeamos dará fruto amanhã com mais violência, destruição, implosão da natureza, com a desflorestação, excesso de consumo e utilização abusiva de matérias-primas, novas formas de escravização, de exploração no trabalho, tráfico de pessoas, predomínio dos mais fortes (os que têm maior poder económico e militar) sobre os mais pobres (pessoas ou povos).
       Há 2.000 anos a ESPERANÇA ganhou um ROSTO: Jesus Cristo, Deus connosco, mensageiro da Paz, profeta da alegria, Messias da caridade, conselheiro da bênção, ELO da fraternidade. Em Jesus, Deus faz-Se um de nós para nos transformar a partir de dentro. Não pela imposição, pelo poder, pela força, mas pelo amor, pela docilidade.
       Naqueles dias, o mundo viu uma nova LUZ, já não intermitente, bruxuleante, mas a LUZ que não se apaga, mesmo que a possamos abafar. Não se apaga pois vem de Deus, vem da eternidade. João Batista testemunha e aponta para esta luz, para este homem como Alguém que pode mudar a história, porque é o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". E João explica porque vê n'Ele a salvação de Deus: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na batizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que batiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus».
       2 – Jesus não é mais um profeta, ou um vendedor de sonhos ou um ilusionista! É o Filho de Deus. Vem de longe, da eternidade, faz-Se próximo, tão próximo que é um de nós, confundindo-Se, misturando-Se, escondendo-Se na humanidade! Por outro lado, revela-Se, mostra-Se, está ao alcance da nossa mão! Podemos vê-l'O, segui-l'O, amá-l'O, podemos persegui-l'O ou até matá-l'O!
       Anuncia e inaugura um reino novo, inclusivo, um reino tão grande que tem lugar para todos. Não há ninguém a mais. Ninguém é dispensável. Ele quer salvar-nos a todos. É um reino diferente de todos os reinos terrenos, ainda que enxertado na terra, na humanidade, mas com ligações seguras ao Céu, a Deus. As portas da eternidade são escancaradas por Jesus Cristo.
       Governa-nos pelo serviço, pela humildade, pela obediência.
       Jesus lembra aos seus discípulos que os chefes das nações discutem lugares e impõem-se pela força, pelo poder. Ao invés, o poder de Jesus e dos Seus discípulos assenta no serviço dócil e atento. Entre vós quem quiser se o maior seja o servo de todos, quem quiser ser o primeiro seja o último. Eu não vim para ser servido, mas como Aquele que serve e dá a vida por todos.
       «De mim está escrito no livro da Lei que faça a vossa vontade. Assim o quero, ó meu Deus, a vossa lei está no meu coração». Jesus vive na obediência filial e ensina-nos a percorrer o mesmo caminho. Obedecer significa escutar com atenção. Quem escuta com o coração, perscruta a vida do outro, com as suas necessidades e anseios. A lei de Jesus é o amor, que escuta, que acolhe, que envolve. O Seu alimento é fazer a vontade do Pai. Responde com amor ao amor do Pai. Obedecer é escutar. Escutar é estar atento e disponível para acolher o outro. Obedecer e escutar levam a amar e a servir. É a missão de Jesus e o propósito e caminho do cristão.
       3 – Isaías visualiza e antecipa a missão do Messias, através de Quem se manifestará a Israel a glória de Deus. Mas não somente a Israel, às nações de toda a terra. O Servo de Deus há de tornar-se guia e luz: «Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra».
       O povo eleito é zeloso da sua Aliança com Deus. Porém, as páginas do Antigo Testamento mostram com clarividência que a salvação de Deus não está confinada a um povo, a uma região, a um grupo limitado de pessoas, mas tende a universalizar-se, a estender-se por todo o mundo, para todas as nações, para toda a humanidade. A eleição e a aliança de Deus com o Povo de Israel é instrumental, na medida em que é dirigida a Israel mas com o compromisso que se alargue a todos os povos da terra. Jesus há de clarificar esta posição dentro do povo e abrindo os horizontes aos seus discípulos: Dentro do povo, convivendo e acolhendo os marginalizados, mulheres, doentes, publicanos, pecadores. Alargando os horizontes, apresentando samaritanos nas parábolas, atendendo aos pedidos da mulher sírio-fenícia e do centurião, conversando serena e afavelmente com a Samaritana, desafiando-a a acolher a Boa Nova da salvação. Para Jesus não há fronteiras nem limitações. Todos são salváveis!
       4 – A saudação de Paulo à Igreja de Corinto envolve-nos a todos no compromisso da santidade. Dirigindo-se àquela Igreja em particular mas logo agrafando todos os que foram chamados à santidade, todos os que invocam o nome de Jesus Cristo, "Senhor deles e nosso".
       Como nos recorda o Vaticano II, avivando-nos a memória, a santidade é vocação comum para os crentes cristãos, para os seguidores de Jesus, lembrando-nos também, sintonizados com a Carta Pastoral de D. António Couto para este ano pastoral de 2016-2017 que, enquanto cristãos, devemos ser discípulos missionários, transparecendo e testemunhando Jesus Cristo, a todo o momento, em toda a parte, perante todas as pessoas.
       Jesus Cristo, filho de Deus humano, veio ao mundo para a todos salvar. É Cordeiro que tira o pecado do mundo. Morreu dando a Sua vida por nós. Ressuscitou colocando a nossa natureza humana à direita do Pai. Contudo não partiu para sempre, abandonando a barca, pelo contrário, está ainda mais presente na história e no tempo através do Seu Espírito de Amor, na Igreja e nos cristãos, nos acontecimentos e no mundo, nos Sacramentos e em todo o bem proferido e vivido. Iniciou a construção do Paraíso, um reino sem muralhas nem fronteiras, reino de serviço e de amor, de compaixão e de ternura. Confiou-nos o Seu reino e o Seu amor, para que agora sejamos nós espalhar a esperança e a paz, a alegria e a bênção. Somos construtores deste Reino novo. Todos sem exceção.

Pe. Manuel Gonçalves



Textos para a Eucaristia (A): Is 49, 3. 5-6; Sl 39 (40); 1 Cor 1, 1-3; Jo 1, 29-34.

Não são os que têm saúde que precisam do médico

        Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. Encontrando-Se Jesus à mesa em casa de Levi, muitos publicanos e pecadores estavam também a mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que O seguiam. Os escribas do partido dos fariseus, ao verem-n’O comer com os pecadores e os publicanos, diziam aos discípulos: «Por que motivo é que Ele come com publicanos e pecadores?». Jesus ouviu e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 13-17).
        O bom senso, por vezes, não parece ser a opção de Jesus, sobretudo quando estão em causas as pessoas mais simples, mais frágeis, mais distantes da normalidade social e religiosa. Encontra um cobrador de impostos, Levi, e chama-o, como se tratasse de alguém conhecido, honrado, exemplar. Na verdade, os cobradores de impostos eram tidos como traidores, faziam o trabalho sujo para a autoridade dominadora, cobrava os impostos dos seus conterrâneos para os entregarem às autoridade romanos. Para além disso, o zelo dos cobradores era de tal ordem que não facilitavam, retiravam o que competia e o que queriam, para também enriquecerem, servindo-se do seu posto. Eram pessoas odiosas. Jesus também os chama. A reação não se faz esperar, como é que Jesus, sendo Mestre e Profeta, se rodeiam dos pecadores, publicanos, numa palavra, como é possível rodear-se da escumalha de Israel. A resposta é simples: Jesus vem para todos, especialmente para os que estão mais longe... de uma vida condigna!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Santo Hilário de Poitiers, Bispo e Doutor da Igreja

Nota biográfica:
       Nasceu em Poitiers, no princípio do século IV. Eleito bispo da sua cidade natal cerca do ano 350, combateu valorosamente a heresia dos arianos e foi exilado pelo imperador Constâncio. Escreveu várias obras cheias de sabedoria e doutrina, para defender a fé católica e interpretar a Sagrada Escritura. Morreu no ano 367.
Oração de coleta:
       Concedei-nos, Deus todo-poderoso, a graça de conhecer e proclamar a verdadeira fé na divindade do vosso Filho, que o bispo Santo Hilário defendeu com tão admirável fortaleza e sabedoria. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Santo Hilário, bispo, sobre a Trindade

Pregando-Vos, Vos servirei

Eu estou bem consciente, Deus Pai Omnipotente, de que a Vós devo consagrar a mais importante tarefa da minha vida, de modo que todas as minhas palavras e todos os meus pensamentos falem de Vós.
O exercício da palavra que me concedestes não pode ter recompensa maior que a de Vos servir pregando-Vos, e demonstrar ao mundo que o ignora, ou ao herege que o nega, que sois Pai, isto é, o Pai do Deus Unigénito.
Embora seja esta a minha única intenção, é necessário para isso invocar o auxílio da vossa misericórdia, para que, desfraldando nós a vela da nossa confissão de fé, a enchais com o sopro do vosso Espírito e nos guieis pela rota da pregação que iniciámos. Não nos há de faltar Aquele que prometeu: Pedi e recebereis, procurai e achareis; batei à porta e abrir-se-vos-á.
Somos pobres, e por isso Vos pedimos o que nos falta; perscrutamos com esforço diligente as palavras dos vossos Profetas e Apóstolos e chamamos com insistência para que se nos abram as portas do conhecimento da verdade; mas é de Vós que depende conceder o que se pede, estar presente quando se procura, abrir a quem bate à porta.
Quando se trata de compreender as verdades que se referem a Vós, vemo-nos impedidos por um certo entorpecimento preguiçoso da nossa natureza e sentimo-nos limitados pela nossa inevitável ignorância e debilidade; mas o estudo da vossa doutrina nos dispõe para o sentido das realidades divinas e a submissão da fé nos leva a superar o nosso conhecimento natural.
Esperamos portanto que façais progredir o nosso tímido esforço inicial, que consolideis o seu desenvolvimento crescente e o leveis à união com o espírito dos Profetas e dos Apóstolos, para que compreendamos o sentido exacto das suas palavras e interpretemos o seu verdadeiro significado.
Vamos falar do que eles pregaram no sacramento: que Vós sois o Deus eterno, Pai do Unigénito Deus eterno; que só Vós sois sem nascimento; e que há um só Senhor Jesus Cristo, que de Vós procede por nascimento eterno; não afirmamos que Ele seja outro deus diverso de Vós, mas proclamamos que foi gerado de Vós que sois o único Deus; e confessamos que Ele é Deus verdadeiro, nascido de Vós que sois verdadeiro Deus e Pai.
Abri-nos, portanto, o significado autêntico das palavras, dai-nos a luz da inteligência, a perfeição da linguagem, a verdadeira fé. Fazei que sejamos capazes de exprimir a nossa fé: que Vós sois o único Deus Pai e que há um só Senhor Jesus Cristo, segundo o que nos transmitiram os Profetas e os Apóstolos. E contra os hereges que o negam, fazei que saibamos afirmar que Vós sois Deus com o Filho e que proclamemos sem erro a sua divindade.

Filho, os teus pecados estão perdoados...

       Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o tecto, por cima do lugar onde Ele Se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados». Estavam ali sentados alguns escribas, que assim discorriam em seus corações: «Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?». Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar, perguntou-lhes: «Porque pensais assim nos vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’? Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados, ‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’». O homem levantou-se, tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim» (Mc 2, 1-12).
       Um homem paralítico é levado à presença de Jesus. Perante a multidão que se junta Jesus, há uma enorme dificuldade em chegar perto d'Ele. Em todo o caso, a dificuldade pode ser sempre ultrapassada. É o que fazem os quatro homens que levam o paralítico a Jesus. Esta é uma lição importante para nós. Mesmo diante das dificuldades maiores, não devemos desistir. Conseguiremos chegar a Jesus.
       Por outro lado, para que Deus nos ajude, é necessário que queiramos ser ajudados. É o que acontece com este paralítico. Quer ser curado e enceta o caminho para se deixar curar. E Jesus, que vem para nos salvar, perante tamanha fé, atende às suas preces.
       Vê-se também como por vezes os nossos olhos estão ofuscados pela inveja, pelo ciúme, ou por uma visão muito materialista e racional. Jesus prepara-se para curar o paralítico, mas logo se levantam vozes sobre a forma como isso acontece, ao invés de apreciarmos os dons que Deus nos dá...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Grupo de Jovens leva o Menino Jesus a beijar...

       Proposta do Conselho Pastoral Paroquial, o Grupo de Jovens liderou a iniciativa de visitar os doentes na quadra do Natal, levando-lhes o gesto vivido na comunidade celebrante, o Beijar do Menino. No dia 27 de dezembro, a ida ao Lar da Santa Casa da Misericórdia de Tabuaço, na solenidade da Epifania do Senhor, a ida à casa dos doentes que previamente, através de familiares ou vizinhos, fizeram chegar o seu interesse em receber este gesto e esta presença.
       A iniciativa contou com um ou outro adulto que se juntaram ao Grupo de Jovens.
       Na Eucaristia Dominical sublinha-se o gesto dos Magos, com o trajar de três Magos, que levaram as ofertas ao altar e no final distribuíram bons-bons às pessoas que passaram para Beijar o Menino. Um gesto simples, mas desafiador, convidando a ser como os Magos, prostrar-se diante de Jesus e oferecer-lhe o melhor.
       Algumas imagens deste dia:

Para ver outras imagens visite a Paróquia de Tabuaço no Facebook.

Senhor, se quiseres, podes curar-me

        Veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me». Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero: fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra e ele ficou limpo. Advertindo-o severamente, despediu-o com esta ordem: «Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho». Ele, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera, e assim, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e vinham ter com Ele de toda a parte (Mc 1, 40-45).
       Da missão de Jesus fazem parte as palavras da pregação, o acolhimento de todos, preferencialmente daqueles que vivem à margem, na fronteira da vida, os gestos de cura, de libertação, de devolução da dignidade perdida.
       Antes de ir ter com Jesus, o leproso sente-se tocado, impelido por Jesus. Ouviu falar, criou esperança, sedimentou a fé numa vida nova, parte ao encontro d'Ele, na certeza que a sua prece será atendida: Se quiseres, podes curar-se. Despojado da sua vida- os leprosos eram tidos como pessoas odiosas, pecadoras, que viviam afastadas, não se podiam aproximar da aldeia, da cidade, com o risco de serem apedrejados. Este leproso ousa aproximar-se. Mais, ousa falar, pedir, colocar-se nas mãos de Jesus. Dos humildes é o reino de Deus. O desejo de cura poderia esbater com a exposição pública, e com a negação. Confia. Já ouviu falar de Jesus. Se quiseres... deixa nas mãos de Jesus, entrega-lhe a sua vida, confia!
       E nós como estamos de confiança em Deus? Também nos dispomos, na circunstância concreta da nossa vida atual, a confiar a nossa situação a Jesus. Eis, faça-se segundo a Tua santa vontade! Se quiseres, Senhor, podes curar-me. Do meu egoísmo, da inveja que sinto dos outros, do distanciamento que construo para não me comprometer! Cura-me dos meus medos, da incerteza, da dúvida, da desconfiança.
       O encontro com Jesus, há de levar-nos ao testemunho. Logo que partiu começou a dizer a toda a gente o que lhe tinha sucedido. E nós? Como estamos de encontro com Jesus? Que é que Ele suscita em nós? Sentimo-nos curados? Tocados pela Sua graça? Como está o nosso encontro com Jesus? Sentimo-nos libertos? Com que alegria testemunhamos a Sua presença em nós?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Todos Te procuram, Senhor! Também eu...

        Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, a casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama com febre e logo Lhe falaram dela. Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre deixou-a e ela começou a servi-los. Ao cair da tarde, já depois do sol-posto, trouxeram-Lhe todos os doentes e possessos e a cidade inteira ficou reunida diante da porta. Jesus curou muitas pessoas, que eram atormentadas por várias doenças, e expulsou muitos demónios. Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era. De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar. Simão e os companheiros foram à procura d’Ele e, quando O encontraram, disseram-Lhe: «Todos Te procuram». Ele respondeu-lhes: «Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também, porque foi para isso que Eu vim» (Mc 1, 29-39).
       A missão de Jesus é um contínuo. Inicia a vida pública e passa de uma a outra terra, procurando chegar a todas as pessoas. Permanece o tempo suficiente para deixar marcas. Mas avança, para que cada um, tocado pela Sua presença, pela Sua graça, possa decidir livremente. Há os que O seguem, há os que O acolhem em suas vidas.
       Prega. Cura. Expulsa dos demónios. Esta é a certeza de que vem da parte de Deus.
       Embora a Sua vida seja uma oração constante a Deus - o seu verdadeiro alimento é Deus, é fazer a vontade de Seu Pai -, Jesus retira-se, afasta-se da multidão, para rezar. É um convite para nós: fazermos da nossa vida oração, mas reservarmos tempo para a intimidade com Deus, para o diálogo, para a oração.
       Todos de Te procuram Senhor! Alguns não sabem quem Tu és. Outros procuram-Te, mas estão longe de Ti, correm para Ti às apalpadelas, aos tropeções. Procuram-te onde Tu não estás. Procuram-Te substituindo-Te por ídolos, por deuses mais fáceis, criados à sua imagem e semelhança, conforme a disposição e o interesse. Procuram-Te!
       Também eu Te procuro. Também eu Te quero procurar.
       Também eu quero que me encontres. Também eu quero deixar que Tu me encontres.
       Também quero ser curado por Ti. Também quero seguir-Te.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Beato Gonçalo de Amarante

Nota biográfica:
       Nasceu em Tagilde, perto de Guimarães, Portugal. Não são conhecidas com precisão as datas da sua vida. Pertenceu ao clero secular, tendo sido pároco. Depois peregrinou 14 anos para visitar os lugares santos, quer da Palestina quer de Roma. Ao regressar à sua paróquia, tendo sido recebido com ameaças e perseguições, optou por uma vida eremítica. Entrou mais tarde na Ordem dos Pregadores e, após ter acabado o tempo da sua formação na Ordem, obteve licença para voltar a Amarante, ao anterior lugar solitário, na companhia de outro irmão. Aí, até ao fim da vida, repartiu o tempo entre a contemplação das coisas divinas e a evangelização daquela zona, levando uma vida de grande ascese. Morreu em Amarante, em 1259. Clemente X permitiu, em 10 de Julho de 1671, que se rezasse a sua Missa e o seu Ofício.

Oração:
       Senhor, que manifestastes as vossas maravilhas no coração do bem-aventurado Gonçalo de Amarante, inflamado no amor do vosso nome, concedei-nos que, à sua imitação, tenhamos sempre o pensamento em Vós e façamos fervorosamente o que Vos é agradável. Por Nosso Senhor.