terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Que nenhum dos pequeninos se perca

       Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos» (Mt 18, 12-14).
       Jesus - Aquele que salva o povo dos seus pecados - vem para todos. Porém, como hoje sublinha, vem sobretudo para os pequeninos, os pobres, os pecadores, ou seja, para aqueles que se abrem à graça de Deus, à Sua presença entre nós, aqueles que reconhecendo a sua pequenez se dispõem a mudar a sua vida, procurando corresponder aos desígnios de Deus.
       Como sabemos, ninguém que se considere santo, perfeito, mais sábio que todos os outros, arrogante, prepotente, poderá acolher o que vem dos outros, ou o que vem de Deus, porque se considera a si mesmo uma referência última, sem necessidade da ajuda, colaboração, ou vida dos outros.
       O convite de Jesus é, antes de mais, um desafio à humildade e à pobreza, à abertura aos outros e a Deus.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - sétimo dia

       Que bom é ter bons amigos. Como é bom ter amigos como este homem do evangelho (Lc 5, 17-26). Este homem está doente. Quatro (ou mais) amigos que não apenas estão ao pé dele, mas tudo fazem para que a sua situação possa melhorar. Pegam nele e levam-no a Jesus. Fazem-no descer pelo telhado. É uma questão de fé e de esperança. Fé e esperança andam ligadas. A fé colocada em Deus. Assim também a oração. Rezamos por que confiamos. Esperamos ser ouvidos. Claro que rezar não é só falar com Deus. Temos dois ouvidos e só uma boca. Então devemos escutar o dobro do que falamos. Levam-no à presença de Jesus que o cura.
       Como podemos levar os outros até Jesus? Em primeiro lugar pela oração. Oração que assenta na fé e na esperança. É o tema para este dia. Não podemos rezar se não tivermos fé. Rezamos porque acreditamos em Deus e acreditamos que Ele pode fazer o que Lhe pedimos. Senão não rezávamos. Intercedemos por alguém a Deus, porque acreditamos que Deus pode intervir. A vida sem fé, sem esperança, está arruinada. A esperança faz-nos caminhar. Tomamos um medicamento com a promessa que vamos melhorar...
       A oração ainda que por intercessão pelos outros, faz-nos bem a nós, pois dessa forma tomamos consciência que Deus está diante de nós, como Alguém que nos ama e em Quem podemos colocar a nossa confiança. A oração faz-nos escutar Deus. Como víamos, rezar não é apenas proferir palavras, recitar oração. É também escutar a nossa consciência, onde Deus nos fala.
       Oração e silêncio. Estar calado também é oração. Por vezes é mais importante fazer silêncio para ouvir Deus. Como Maria. Muitas vezes se diz que Maria guardava todas aquelas coisas no coração. Mais que falar a Deus, deixava que Deus Lhe falasse e guardava tudo no coração.
       Oração e humildade. Lembremos a parábola que Jesus contou sobre o fariseu e o publicano que subiram ao templo para rezar. O fariseu rezava - obrigado por não ser como aquele... Estava centrado em si mesmo, falando dos seus méritos, dispensando Deus. A soberba fecha-nos a Deus e aos outros. O publicano nem ousava olhar para o alto, para Deus, e com humildade dirigia o seu coração para a misericórdia de Deus e bem sabemos como atua a misericórdia de Deus. Por maior que seja o nosso pecado, maior é a misericórdia de Deus.
       Oração e ação. A oração não nos afasta dos outros. A oração compromete-nos. Próximos de Deus, próximos uns dos outros. Como aquele homem que rezava, rezava a Deus que lhe saísse a lotaria. Um dia Deus respondeu-lhe: pelo menos compra a cautela. Faz pela vida. Ou como o estudante que reza, mas não estuda. A oração não premeia a preguiça. Deus ajuda-nos quando nós fazemos por isso. Recebemos tantos dons! A oração faz-nos também tomar consciênca dos dons recebidos e da necessidade de os partilhar. Quando acordamos de manhã isso é um dom. É um verdadeiro milagre.
       Oração e santificação. A oração predispõe-nos à conversão. Aquele publicano saiu justificado, isto é, perdoado dos seus pecados. Não há santos sem passado, nem pecador sem futuro. Ou seja, os santos também caíram, mas souberam levantar-se e ir até ao fim, confiando na misericórdia de Deus. Os pecadores têm futuro porque estão a tempo de se converter e beneficiarem do perdão de Deus.
       Os santos são para nós um exemplo de caminho, de fé, de oração. O melhor exemplo é Maria. Confiou em Deus e entregou-Se totalmente à Sua vontade.
       O pregador, Pe. Joaquim Dionísio, terminou a sua reflexão convidado-nos a que sejamos estes bons amigos do Evangelho, prontos para levarmos outros a Jesus e a deixarmos que outros nos levem a Jesus.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Homem, os teus pecados estão perdoados

       Certo dia, enquanto Jesus ensinava, estavam entre a assistência fariseus e doutores da Lei, que tinham vindo de todas as povoações da Galileia, da Judeia e de Jerusalém; e Ele tinha o poder do Senhor para operar curas. Apareceram então uns homens, trazendo num catre um paralítico; tentavam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus. Como não encontraram modo de o introduzir, por causa da multidão, subiram ao terraço e, através das telhas, desceram-no com o catre, deixando-o no meio da assistência, diante de Jesus. Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse: «Homem, os teus pecados estão perdoados». Os escribas e fariseus começaram a pensar: «Quem é este que profere blasfémias? Não é só Deus que pode perdoar os pecados?» Mas Jesus, que lia nos seus pensamentos, tomou a palavra e disse-lhes: «Que estais a pensar nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou ‘Levanta-te e anda’? Pois bem, para saberdes que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico – levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa». Logo ele se levantou à vista de todos, tomou a enxerga em que estivera deitado e foi para casa, dando glória a Deus. Ficaram todos muito admirados e davam glória a Deus; e, cheios de temor, diziam: «Hoje vimos maravilhas» (Lc 5, 17-26).
       O perdão dos pecados é exclusivo de Deus. Jesus, ao usar esta linguagem, "provoca" a mente dos seus ouvintes. Ele não é simplesmente um curandeiro, é muito mais que isso, é o Messias que estava para vir ao mundo, é o Deus connosco. Milagres, curas, exorcismos, perdão dos pecados, atributos próprios do Messias, ainda que este último aspeto só se deva referir a Deus. Se Jesus perdoa os pecados, então o reino de Deus chegou até nós.
       O próprio nome, revelado a São José e a Maria, Jesus, traz consigo esta dimensão divina. Jesus é Aquele que salva, é o Salvador. Ele trará um reino de cura, a partir do interior, não apenas cura de doenças mas muito mais que isso, redenção. A cura é sobretudo um sinal do poder de Deus entre nós e que atua a nosso favor. A verdadeira cura, porém, é a que nos redime do pecado e da morte e nos aproxima de Deus e dos outros, de forma simples e verdadeira, sem reservas.

S. Martinho de Dume, S. Frutuoso, e S. Geraldo, bispos

Nota Histórica:
       Martinho, oriundo da Panónia, nasceu no princípio do século VI e foi, ainda novo, para a Palestina. Era um homem de grande erudição e «por inspiração divina», como ele mesmo afirmava, veio para a Galiza cerca do ano 550. Converteu os suevos do arianismo à fé católica e fixou-se em Dume; aí fundou um mosteiro de que foi eleito bispo. Em 569 ficou a ser também bispo metropolita de Braga. Com a sua virtude e saber, diz S. Isidoro, a Igreja floresceu na Galiza. Morreu no dia 20 de Março do ano 579.
       Frutuoso nasceu no princípio do século VII, de nobre família visigótica. Fundou numerosos mosteiros, que muito contribuíram para a educação da juventude, como centros de vida religiosa e cultural. Nomeado arcebispo de Braga, a fama da sua santidade e sabedoria estendeu-se a toda a Península Hispânica. Morreu cerca do ano 666.
       Geraldo nasceu na Gália, de nobre família; professou no mosteiro de Moissac onde desempenhou os cargos de bibliotecário, mestre dos oblatos e cantor. O bispo Bernardo de Toledo conseguiu levá-lo para a sua catedral para aí exercer as funções de mestre e de cantor. Eleito bispo de Braga, exerceu grande actividade na reorganização da diocese, na promoção da vida monástica, na reforma litúrgica e pastoral, bem como na aplicação da disciplina eclesiástica. Morreu a 5 de Dezembro de 1108.

Oração:
       Deus, inspirador dos pastores da Igreja e luz de todos os povos, que chamastes os santos bispos Martinho, Frutuoso e Geraldo para ensinar ao vosso povo os mistérios do reino, concedei-nos que, animados pelo seu exemplo e iluminados pela sua doutrina, cheguemos ao esplendor eterno da vossa glória. Por Nosso Senhor.
«Fórmula de vida honesta», de São Martinho de Dume, bispo

Os que temem o Senhor são justificados e as suas boas obras brilham como a luz

Não procures granjear a amizade de alguém por meio da adulação, nem permitas que outros por meio dela granjeiem a tua. Não sejas ousado nem arrogante; submete-te e não te imponhas; conserva a serenidade e aceita de boa mente as advertências e com paciência as repreensões. Se alguém te repreender com razão, reconhece que é para teu bem; se o faz sem motivo, admite que é com boa intenção. Não temas as palavras ásperas, mas sim as brandas. Emenda-te dos teus defeitos e não sejas curioso indagador ou severo censor dos alheios; corrige os outros sem incriminação, prepara a advertência com mostras de sincera simpatia, e ao erro dá facilmente desculpa.
Não exaltes nem humilhes pessoa alguma. Sê discreto a respeito do que ouves dizer e acolhedor benévolo dos que te querem ouvir. Responde prontamente a quem te pergunta e cede facilmente a quem porfia, para que não venhas a cair em contendas e imprecações.
Se és moderado e senhor de ti mesmo, vigia sobre as moções do teu ânimo e os impulsos do teu corpo, evitando todas as inconveniências; não os ignores pelo facto de serem ocultos; pois não importa que ninguém os veja, se tu de facto os vês.
Sê flexível, mas não leviano; constante, mas não teimoso. A tua ciência não seja ignorada nem molesta. Considera a todos iguais a ti; não desprezes os inferiores com altivez, e não temas os superiores, se vives rectamente. Em matéria de obséquios e saudações não te dispenses nem os exijas. Para todos deves ser afável; para ninguém, adulador; com poucos, familiar; para todos, justo.
Sê mais severo no discernimento do que nas palavras e mais nobre na vida do que na aparência. Afeiçoa-te à clemência e detesta a crueldade. Quanto à boa fama, não apregoes a tua nem invejes a alheia. Sobre rumores, crimes e suspeitas não sejas crédulo nem inclinado a pensar mal, mas opõe-te decididamente àqueles que com aparente simplicidade maquinam a difamação alheia.
Sê tardo para a ira e fácil para a misericórdia; firme nas adversidades, prudente e moderado nas prosperidades; ocultador das próprias virtudes, como outros o são dos vícios. Evita a vanglória e não busques o reconhecimento das tuas qualidades.
A ninguém desprezes por ignorante. Fala pouco, mas tolera pacientemente os faladores. Sê sério mas não desumano, e não menosprezes as pessoas alegres.
Sê desejoso da sabedoria e dócil. Sem presunção, ensina o que sabes a quem to pedir; e sem disfarçar a ignorância, pede que te ensinem o que não sabes.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - sexto dia

       No sexto dia da Novena, caindo em Domingo, a Novena incluiu a recitação do Terço, a Exposição, Adoração e Bênção do Santíssimo. A pregação do Pe. Joaquim partiu de um texto de São João (5, 1-9), em que Jesus cura um paralíptico que estava à beira da piscina de Betzatá.
       Depois da proclamação deste texto, o Pregador relembrou o texto do Evangelho proclamado neste segundo Domingo de Advento e que fala de João Batista. Três notas acerca do Evangelho deste dia em relação a João Batista: um anúncio, um convite, uma ameça. Anúncio: O reino de Deus está a chegar. É uma Boa Notícia. É Evangelho.Um convite/desafio: Convertei-vos. A conversão é caminho que nos leva a Jesus.
       Um aviso, uma ameaça: a machado está posto à raiz, toda a árvore que não dá fruto é cortada e deitada ao lume. Daí a necessidade da conversão, a adesão ao anúncio, fazendo com que este anúncio nos leve ao compromisso com os outros.
       Por outro lado, a figura de Santa Faustina, que é a confidente de Jesus para a misericórdia e que estará em evidência na paróquia durante o mês de dezembro (Um santo Missionário por mês - iniciativa arciprestal). Ao longo do ano pastoral anterior, a vivência do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco. E para quê um ano dedicado à misericórdia?
A ponte entre João Batista e Santa Faustina. Anúncio do Reino de Deus que está a chegar e desafio à conversão. Misericórdia divina em abundância, esbanjada a favor de todos. Era necessário um Jubileu da Misericórdia para que todos tivessem (e soubessem) acesso á misericórdia de Deus. Naquela piscina só podia entrar um doente de cada vez. Quando a água começa agitar-se, quem pode entra na piscina. Só se pode salvar um de cada vez. Solidários na doença, mas junto à piscina tornam-se adversários, há rivalidade a ver quem entra primeiro e se salva. Ora o Jubileu da Misericórdia lembra-nos que todos podemos ser salvos. Não importa se se chega antes ou no fim. Todos podem aceder à salvação, que é dom gratuito de Deus a todos.
       Sobre a Misericórdia três notas fundamentais. A misericórdia é dom de Deus. Deus é a Misericórdia que nos procede. Agimos com misericórdia porque antes Deus agiu desse modo connosco. A misericórdia é dom mas torna-se dever (1). Se recebemos de graça, de graça havemos de dar. Os dons só se preservam se forem gastos a favor dos outros. A misericórdia exige proximidade (2). Proximidade física, espiritual ou afetiva, mas proximidade. Lembremos a parábola do Bom Samaritano. O levita e o sacerdote cumprem a Lei, pensam em si mesmos... O que nos acontece se nos aproximarmos? Afastam-se, mantém-se à distância. Po sua vez, o samaritano pensa, não sem si, mas no que acontecerá se não se aproximar daquele homem? Aproxima-se. É válido também para nós, a distância afasta-nos dos outros, a proximidade redime, cura, salva-nos. 
       A misericórdia traduz-se, concretiza-se, pela compaixão (3). Não é ter pena do outro. Isso é diminuir o outro. Se temos pena, não o reconhecemos como igual, com a mesma dignidade. Podemos e devemos sentir compaixão. Esse é proceder de Deus para connosco, compadeceu-Se de nós, do nosso pecado, vindo ao nosso encontro.
       O Jubileu da Misericórdia foi/é importante para nos lembrar que esta piscina é para todos, venham antes ou depois, peçam perdão muitas vezes ou uma vez apenas, venham muitas vezes à Missa ou só no fim da vida. A Pedro, depois da negação, Jesus há de perguntar pelo amor: Pedro, Tu amas-Me? Não pergunta quantas línguas conhece, que capacidades tem, pergunta pelo amor. Amar é quanto basta. No dizer de Santo Agostinho, ama e faz o que quiseres. Amar é bom. Lembremos o amor das mães pelos filhos e quanto fazem para o bem dos filhos. "No entardecer da vida seremos julgados pelo amor" (São João da Cruz). Como nos lembra São Mateus no capítulo 25: tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber... a pergunta é pelo amor ou pela falta de amor, de compaixão. Conta-se a história de um rabino que interrogou os seus discípulos acerca do momento em que a noite dava lugar ao dia. As respostas são variadas e também as podemos dar: quando distinguimos formas, ou vemos os degraus, ou conseguimos ler um texto. Então o rabino responde-lhes: é dia quando encontras o outro e o reconheces como irmão.
       Com São João Batista, escutemos o anúncio, deixemos-nos desafiar à conversão e arrependimento e procuremos dar fruto, para sermos árvores que perduram para a vida eterna.
       Com Santa Faustina, abramo-nos à misericórdia de Deus, recebendo-a possamos partilhá-la com os outros.
       Nossa Senhora saibamos gastar-nos a favor dos outros como Ela Se gastou e continua a gastar a favor da humanidade. Os muitos dons que recebeu de Deus fê-los frutificar no serviço e cuidado da humanidade.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - quinto dia

       O nosso pregador, o Pe. Joaquim Dionísio, tendo em contra a presença das crianças da catequese, utilizou uma metodologia mais dialógica, começando por perguntar o que ia surgir em frente ao altar. Relembramos que a Paróquia de Tabuaço está a participar na Caminhada do Advento-Natal para o Arciprestado de que faz parte. O projeto é ir construindo o Presépio, tendo como pano de funda a liturgia da palavra e a ligação ao Plano Pastoral da Diocese. O espaço escolhido foi em frente ao altar. A resposta não se fez esperar: vai ali aparecer Jesus, o Presépio. Mas ainda não está o Menino Jesus, sóno dia de Natal. Então que fazer? Esperamos. E Durante a espera? Comemos, dormimos, brincamos... E que mais podemos fazer enquanto esperamos?
       O Pe. Joaquim propôs então uma pequena história. Se temos que ir de viagem... o autocarro sairá pelas 9h00. Mas chego à paragem pelas oito horas? O que faço? Espero. E enquanto espero o que posso fazer. Podemos. Um menino chegou assim cedo, pegou na consola e pôs-se a jogar. Chegou outro e aproveitou para ler. Um outro ia olhando à sua volta. Viu então uma senhora de muita idade a atravessar a estrada, levantou.-se e foi ajudá-la.
       Enquanto esperamos podemos fazer várias coisas. Deveríamos fazer coisas positivas. É uma espera ativa. Como Maria. Enquanto Jesus não nasce, sabendo que a sua prima se encontra grávida vai ajudá-la. Podia ficar de braços cruzados, mas optou por sair e ir ao encontro.
       O Evangelho hoje falava de uma figura. Quem? João. João Batista? E o que ele fazia? Batizava. Por isso se chama João, o Batista. Ele anuncia e prepara a vinda de Jesus. Diz-nos o que fazer enquanto esperamos. É um homem esquisito, come gafanhotos e mel silvestre. Mas é um homem sério, coerente. Diz ao que vem. Diz o que tem a fazer. Mais vale ser antipático e ser verdadeiro, do que muito simpático e mentiroso. João prega a verdade, procura a verdade, denuncia as injustiças e a corrupção. Outro dos aspetos é a sua humildade. Ele poderia ter a fama que quisesse, mas prefere manter-se pequenino, aponta para o Messias.
       João prepara a vinda de Jesus. É a sua missão. Os pais e as catequistas hão de ser como João Batista, optando pela verdade, pela coerência, pela humildade. São os primeiros educadores dos filhos. Têm a missão de comunicar os valores e as referências, também a pertença e a inserção na comunidade crente. A fé aproxima-nos da comunidade, faz-nos participar da vida comunitária. A fé não isola, pelo contrário leva-me ao encontro do outro para atender às suas necessidades.
       Podemos esperar por Jesus de braços cruzados, a jogar ou a brincar, ou distraídos da vida. Ou podemos esperar ativamente, como Nossa Senhora, que soube que a sua prima Isabel estava grávida e não ficou em casa à espera que Jesus nascesse, foi ter com ela para a ajudar. Podemos muitas coisas enquanto esperamos, façamos coisas positivas.

Paróquia de Tabuaço | Festa do Acolhimento | 2016

       A primeira festa da catequese, dos meninos e meninas do Primeiro Ano da Catequese, é a Festa do Acolhimento. O Objetivo é precisamente acolher os que pela primeira vez frequentam a catequese, pelo que é uma festa colocada no início do ano pastoral, início do ano catequético.
       Pelo segundo ano consecutivo, a Festa do Acolhimento integrou a Novena da Imaculada Conceição.
       Estiveram mais diretamente ligados a esta festa, as catequistas (Clara Castro e as que no último ano pastoral celebraram o Crisma) e os jovens que frequentam o 10.º Ano de Catequese, com a sua catequista.
       Alguns momentos sublinhados, além da introdução-contextualização da celebração, depois do Credo, o compromisso dos Pais, o compromisso das meninas e meninos do 1.º Ano de Catequese, o compromisso das catequistas.. apoiar, acompanhar, participar, ajudar, cooperar, inserir na vida da comunidade.
       Ao compromisso de uns e de outros, o desafio a todos de acolher para que cada um se sinta em casa.
       No Ofertório, a oração do Papa Francisco a Nossa Senhora, da Lumen Fidei, sublinhando com gestos algumas das expressões: a luz, a Palavra de Deus, o peregrinar, o compromisso missionário, a cultura do encontro e da entreajuda.
       Durante a Festa do Acolhimento, a Caminhada do Advento e Natal, com a colocação do tronco de Jessé, com as palavras sugeridas no plano pastoral da Diocese.
       Seguiu-se o chamamento de cada um dos meninos, para que cada um colocasse a respetiva fotografia/coração pequenino num coração maior, o nosso no coração de Jesus.
       Algumas fotografias desta bonita celebração:
Para outras fotos disponibilizadas,

sábado, 3 de dezembro de 2016

Domingo II do Advento - ano A - 6 de dezembro

       1 – Um tronco! Uma vida. Uma raiz! Um começo. Um rebento! Vida nova a germinar! Anúncio de primavera! Tempo de esperança! Espera confiante! Aurora de um novo dia, claridade a despontar! E com o dia, mais tempo para viver, para aproveitar, recriando-se. Um tronco! Uma raiz! Uma árvore! Um rebento! O deserto! O vazio ou um espaço a preencher? João Batista a pregar, a anunciar, a provocar! Um Messias para vir! Um profeta novo a chegar!
       De uma raiz, um rebento, que se tornará raiz nova, de onde florescerá uma nova criação, um mundo novo. João Batista, sem peias nem teias: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». No dizer do profeta Isaías é a VOZ que clama no deserto, que nos interpela a prepararmo-nos para recebermos e reconhecermos a PALAVRA que vem do alto, que vem de Deus. Uma raiz, um rebento, de onde germinará a vida e a salvação! Aprontemo-nos para perceber a Sua chegada. Vontade. Disponibilidade. Fazer pela vida. "Praticai ações que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão".
       A salvação está aí, a árvore tem de dar fruto. De contrário, apenas servirá para fazer sombra, produzir oxigénio, para deitar ao lume... já é bastante útil e até necessário, mas não se compreende que árvores de fruto não deem fruto, se foram plantadas para esse efeito!
       2 – João e Jesus. Advento. A vinda de um prepara a vinda do outro. João vem primeiro, como Precursor, dulcificar os corações para se deixaram cativar por Jesus. Jesus está antes. Junto do Pai, desde sempre. Vem para salvar, para ajuntar, para redimir. Ele batizará no Espírito Santo e no fogo. Vem depois, mas é perante Ele que João Batista (e cada um nós) se prostrará para O adorar.
       Do tronco de Jessé brotará um rebento. Um enxerto. Do tronco de Jessé, o novo David, o novo Adão, o novo Moisés. O rebento florescerá, dando frutos de misericórdia e de perdão, de justiça e de paz. O enxerto de uma árvore pretende potenciar a qualidade dos frutos que se desejam. Jesus enxerta-se na humanidade, assumindo-nos, Ele mesmo se torna em raiz, em árvore, na qual, doravante somos enxertados. Uma vez enxertados em Cristo, se o enxerto vingar, só podemos produzir bons frutos.
       O profeta Isaías convida-nos a olhar para o Messias que virá, sobre Quem "repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor de Deus... não julgará segundo as aparências, nem decidirá pelo que ouvir dizer. Julgará os infelizes com justiça e com sentenças retas os humildes do povo".
       Com Ele, um tempo de paz. em que "o lobo viverá com o cordeiro e a pantera dormirá com o cabrito; o bezerro e o leãozinho andarão juntos e um menino os poderá conduzir... A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra e o menino meterá a mão na toca da víbora. Não mais praticarão o mal..." A partir dos frutos saberemos se estamos no caminho certo!
       3 – Um rebento. Uma árvore nova. Uma enxertia divina. Deus que vem, que chega, que irrompe na história. E se Deus desce à história dos homens, a história há de elevar-se para Deus. Hão de olhar para Aquele que trespassaram! Pelo menos, não nos podemos desculpar que não sabíamos.
       Serão dias de alegria e confiança. "Florescerá a justiça... uma grande paz até ao fim dos tempos. Ele dominará até aos confins da terra. Socorrerá o pobre que pede auxílio e o miserável que não tem amparo. Terá compaixão dos fracos e dos pobres e defenderá a vida dos oprimidos. O seu nome será eternamente bendito e durará tanto como a luz do sol; nele serão abençoadas todas as nações, todos os povos da terra o hão-de bendizer".
       Seguindo-O faremos as mesmas opções, vivendo ao Seu jeito. Dóceis para todos. Prestáveis para cada pessoa que encontrarmos. Dando prioridade àqueles que sofrem: os que vivem na pobreza e na solidão, que são vítimas da perseguição e das intempéries da vida, da incompreensão ou da própria fragilidade. Como relembra o Papa Francisco, na recente carta apostólica Misericordia et Misera, "não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21)".
       O caminho aberto por Jesus – iluminando-nos com a benevolência do Pai, vivendo e dispensando ternura, misericórdia, compaixão, proximidade, serviço, perdão – será o caminho que temos de percorrer, ajustando o nosso ao de Jesus. Será o nosso compromisso com os irmãos, sobretudo com os mais frágeis, terá que ser a nossa profissão de fé entranhada na transformação do mundo, para que este seja casa de todos. Se não ouvirmos os pobres, os famintos, os nus, se não virmos os necessitados de pão e de atenção, estamos a ser infiéis à nossa identidade batismal.

       4 – A vinda de Deus ao mundo, em Pessoa, Ele mesmo, encarnando, tem o propósito de nos reconciliar como família, reconstruindo a fraternidade perdida pelo pecado. Por conseguinte, num tronco já ressequido pela indiferença, pelos ódios e vinganças, pela guerra, pelos laços quebrados, Deus dá-nos o Seu Filho, faz que do tronco surja um rebento que, por sua vez, dará vigor a toda a árvore.
       Veio para permanecer no meio de nós. Tornou-Se homem, sujeitando-se às leis espácio-temporais. A Sua morte foi entrega, a Sua vida um testemunho de fidelidade a Deus Pai e à humanidade, a crucifixão transpareceu o gastar-Se até ao fim por nós, a Sua ressurreição faz-nos comungar da Sua vida para sempre.
       O Apóstolo lembra as Sagradas Escrituras como esperança, como promessa. A vinda de Jesus é a promessa realizada no tempo, na história, na nossa vida. Com a Sua vida mostra-nos o caminho de fidelidade ao Pai, servindo os seus compatriotas. Agora é a nossa vez, é a hora de O imitarmos para que Ele continue a vir, a nascer, a ressuscitar, a dar-nos vida abundante. Ele VIVE quando deixamos que Ele reine. "Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus".
       Amparados pela misericórdia de Deus, esbanjada por Jesus, deixemo-nos, envolver pela oração, pela escuta da Palavra de Deus, pelo acolhimento de Jesus, na Eucaristia e na caridade para com todos.

       5 – A primeira tarefa do crente é o louvor. O louvor faz-nos reconhecer a grandeza de Deus e o Seu mandato de amor. "O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, numa só alma e com uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo".
       A Glória de Deus é o homem vivente (Santo Ireneu). O melhor louvor é um coração contrito, uma coração que vê. Vemos bem quando a distância do nosso coração ao coração dos outros não nos impede de os reconhecermos como irmãos.
       "Concedei, Deus omnipotente e misericordioso, que os cuidados deste mundo não sejam obstáculo para caminharmos generosamente ao encontro de Cristo, mas que a sabedoria do alto nos leve a participar no esplendor da sua glória". Com efeito, “os cuidados do mundo” são tudo o que nos distrai da vida: o conjunto de desculpas e justificações para não ajudarmos os outros e não nos comprometermos com a justiça, com a paz, com a partilha solidária, com a comunhão fraterna. Que Deus reze em nós a Sua sabedoria e o Seu amor, para que dóceis à Sua vontade, sejamos construtores de fraternidade.

Pe. Manuel Gonçalves


Textos para a Eucaristia (A): Is 11, 1-10; Sl 71 (72); Rom 15, 4-9; Mt 3, 1-12.

São Francisco Xavier, presbítero

Nota Histórica:


       São Francisco Xavier nasceu a 7 de abril de 1506, no castelo de Xavier, em Navarra, na Espanha. Filho de Dom João e Maria Xavier. Desde cedo Francisco fez da capela, existente no castelo, um lugar especial, onde se ajoelhava e olhava o grande crucifixo, contemplando o amor daquele Homem da Cruz.
       Cresceu numa família abonada e, nessa medida, teve a possibilidade de estudar. Na juventude prosseguiu os estudos em Paris. Já professor viria a encontrar-se com Inácio de Loyola. Juntamente com mais 5 companheiros fundaram a Companhia de Jesus. A eles rapidamente se juntaram muitos outros, espalhando-se pelo mundo inteiro a anunciar o Evangelho.
       Foi ordenado sacerdote, em Roma, no ano de 1537 e dedicou-se a obras de caridade.
       Em 1541 partiu para o Oriente, cabendo-lhe evangelizar o Japão e a Índia, onde trabalhou incansavelmente,  durante 10 anos, percorrendo enormes distâncias, para propagar a fé, falando do Reino de Deus e do Seu amor pela humanidade, administrando os sacramentos. Não queria que ninguém ficasse sem conhecer Jesus Cristo, em quem se revelada a plenitude do amor de Deus. Uma das suas estratégias, para chegar mais longe e a mais pessoas, foi pedir a ajuda das crianças. "A cada dia crescia o número das pessoas que tinham desejo de Deus e eu tinha todo o interesse em satisfazer toda aquela pobre gente. Com receio que uma recusa enfraquecesse a sua confiança nos socorros da religião, decidi enviar as crianças para os diferentes bairros, para onde era chamado".
       As crianças, enviadas por São Francisco, levavam uma oração impressa, tocavam os doentes com o rosário e aspergiam-nos com água benta. Regressavam felizes.
       Depois de muito trabalho, já cansado e sem forças, Francisco adoece e no dia 3 de dezembro de 1552 abraçado ao crucifixo diz com voz fraca: "Senhor esperei em vós, não serei confundido eternamente!" Tinha 46 anos de idade.
       Foi beatificado pelo Papa Paulo V, a 25 de outubro de 1619 e canonizado pelo Papa Gregório XV, a 12 de março de 1622, em simultâneo com Santo Inácio de Loyola. Como Santa Teresinha do Menino Jesus, também ele é apontado como modelo de missionário, tendo sido proclamado padroeiro das missões pelo Papa Pio XI. A sua festa celebra-se a 3 de dezembro.      

Oração:
       Senhor, que, pela pregação de São Francisco Xavier, chamastes muitos povos ao conhecimento do vosso nome, concedei a todos os cristãos o mesmo zelo pela propagação da fé, para que, em toda a terra, a santa Igreja se alegre com novos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
       A Primeira Leitura e o Evangelho mostram o mandato de Cristo e o cumprimento do mesmo por parte do Apóstolo São Paulo. Jesus aparece aos Onze Apóstolos e envia-os a anunciar o Evangelho a todo o mundo (Mc 16, 15-20). Paulo assume o anúncio do Evangelho como prioridade do seu ministério, assim também São Francisco Xavier:
"Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho! Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado. Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere. Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível. Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens" (1 Cor 9, 16-19.22-23).
São Francisco Xavier, presbítero, a Santo Inácio

Ai de mim se não anunciar o Evangelho

Viemos por povoações de cristãos, que se converteram há uns oito anos. Nestes sítios não vivem portugueses, por a terra ser muitíssimo estéril e extremamente pobre. Os cristãos destes lugares, por não terem quem os instrua na nossa fé, somente sabem dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga Missa e, ainda menos, quem lhes ensine o Credo, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e os Mandamentos. Quando eu chegava a estas povoações, baptizava todas as crianças por baptizar. Desta forma, baptizei uma grande multidão de meninos que não sabiam distinguir a mão direita da esquerda. Ao entrar nos povoados, as crianças não me deixavam rezar o Ofício divino, nem comer, nem dormir, e só queriam que lhes ensinasse algumas orações. Comecei então a saber por que é deles o reino dos Céus. Como seria ímpio negar-me a pedido tão santo, comecei pela confissão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pelo Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, e assim os fui ensinando. Descobri neles grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos.
Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa, levantando a voz como homem que perdeu o juízo e, principalmente, à Universidade de Paris, falando na Sorbona aos que têm mais letras que vontade para se disporem a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles! E, se assim como vão estudando as letras, estudassem a conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, por meio dos Exercícios Espirituais, conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, eis-me aqui; que quereis que eu faça? Mandai-me para onde quiserdes; e se for preciso, até mesmo para a Índia».

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - quarto dia

       Neste quarto dia de novena, em honra de nossa Senhora da Conceição, o Pe Joaquim iniciou por lembrar o Dr. Manuel Gonçalves da Costa, reconhecido historiador da diocese, natural de Penude. Tinha tido uma intervenção na Academia Portuguesa de História e contou aos seus alunos no Seminário como tinha começado a sua intervenção: para Deus tudo é fácil, para o homem tudo é difícil. 
       Deus é todo poderoso, o homem é frágil. Deus é a Verdade, é Livre. Sabe tudo.
       O ser humano é limitado, fraqueja, os desencontros, a incompreensão. Como víamos ontem, as dificuldades manifestam-se a cada momento. A fé ajuda-nos a encontrar Jesus, a enfrentar as dificuldades, a abrir-nos para Deus, a compreender que Deus nos ama, e que não nos falha. A fé não elimina o mal, o sofrimento, mas dá-nos a esperança para nos erguemos, para caminhar, para procurarmos Jesus, como aqueles dois cegos do Evangelho. A fé permite-nos ver mais além do sofrimento.
       Aqueles dois cegos do evangelho (Mt 9, 27-31) somos nós. Podem não ser cegos físicos, pois eles seguem Jesus pelo caminho, Somos cegos quando deixamos de ver, já não vemos mais, estamos desorientados. Quando nos falta a esperança e já não conseguimos caminhar.
       Aqueles cegos já tinham ouvido falar de Jesus e por isso sentem-se impulsionados para recorrer a Jesus. Seguem-n'O no seu caminho e predispõe-se a mudar: Senhor, tende piedade de nós. Também pedimos ao Senhor que tenha compaixão de nós, que venha em nossa auxílio e nos salve. Para esta súplica é preciso a humildade, só na pequenez nos abre o coração para a grandeza da misericórdia de Deus. Deus cria-nos sem nós, mas não nos salva sem nós (Santo Agostinho). A fé é dom. Mas os dons são para gastar, para partilhar. A fé é dom, mas Deus conta connosco. Esper a nossa resposta.
       Outro dos aspetos do Evangelho, o encontro com Jesus dá-se na rua. Jesus podia curá-los ali, mas só quando entra em casa, na comunidade, é que fala com eles e os cura. É na comunidade que podemos encontrar Jesus. Por vezes procuramos Jesus onde Ele não está. Podemos encontrá-l'O na oração, na Palavra de Deus, pela qual nos fala, encontrámo-l'O sobretudo na comunidade, Igreja é a assembleia convocada por Ele, é na comunidade que nos apoiamos.
       Quando alguém diz "eu cá tenho a minha fé", é mentira. Pode ser uma conjunto de ideias, mas não é fé. A pessoa desculpa-se para fazer tudo à sua maneira. A fé congrega-nos, faz-nos comunidade, é em comunidade que Deus nos fala, é em comunidade que Deus nos cura.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - terceiro dia

       Ao terceiro dia da Novena, o Pe. Joaquim Dionísio começou por evocar a figura de Santa Teresa de Jesus, ou Santa Teresa de Ávila, ao tempo em que se tornou reformadora do Carmelo. Procurava então viver santamente, estendendo o testemunho às irmãs e aos religiosos em que viviam nos diferentes conventos. Pelo caminho encontrava muitos obstáculos, era criticada, abertamente, contestada, acusada, com processos que lhe moveram, dentro da própria congregação.
       Decidiu queixar-se a Jesus: bem vês o bem que procuro fazer e o testemunho que quero dar de Ti e do Teu Evangelho, procuro viver com humildade e ser prestável a toda a gente, e no entanto não me deixam em paz. A reposta de Jesus: é assim que trato os meus amigos. Contra-resposta pronta de Santa Teresa: é por isso que tens tão poucos!
       A partir daqui o nosso Pregador, propôs-se refletir sobre a dificuldade de dar testemunho. Também nós nos queixamos ao Senhor, questionando-O sobre as dificuldades que temos de enfrentar, rezamos, vimos à Missa, confiamos n'Ele, praticamos o bem, e mesmo assim sofremos, somos colocados à prova, com injustiças, sofrimentos, incompreensões, doenças, solidão... Questionamos Deus.
       No dia de Páscoa, dois homens caminham tristes, desiludidos em direção a Emaús, vão a falar do que sucedeu com o Senhor, em Quem tinha depositado a sua confiança, pensando que Ele ia resolver os problemas, restaurar a paz e a glória de Israel. Ouviram-n'O entusiasmados, acompanharam-n'O para todo o lado, pensaram que ira ser um tempo de sucesso. Mas no fim, Aquele que seria o Messias esperado, foi preso, julgado e morto numa cruz. Tudo pareceu em vão.
       Entretanto um terceiro Homem vem ao encontro deles e começa a falar com eles, a explicar-lhes as Sagradas Escrituras, mostrando que tudo o aquilo que aconteceu tinha de acontecer para se manifestar a glória de Deus. Este terceiro homem é o Senhor. Acompanhou-os ao longo do caminho. Como vinha caindo a noite, convidaram-n'O para pernoitar em sua casa. Durante a refeição, ao partir do pão, isto é, a Eucaristia, revelou-lhes que a ressurreição, a vida, venceu a morte. A dúvida deu lugar à fé e à confiança. A tristeza deu lugar à alegria. O medo deu lugar à partilha, ao anúncio, ao testemunho.
       Também isto é construir sobre a rocha, no dizer do Evangelho deste dia (Mt 7, 21.24-27).
       Os discípulos de Emaús somos nós. A escuta da Palavra, a sua reflexão, permite aclarar dúvidas e interrogações. A escuta da Palavra de Deus e o vir à sua mesa. A dúvida permite perguntar. Como Santa Teresa de Jesus. Deus responde com a Sua Palavra, com os Seus dons.
       Por outro lado, Deus não força. Vem, coloca-Se perto, mas respeita o nosso ritmo, não empurra, não arrasta, não exclui.Caminha connosco. Está no meio. Importa que esteja no meio. Os discípulos de Emaús estavam tristes porque perderam Jesus de vista. Ele tem de estar visível, ser o centro. Como tem referido o Papa Francisco, a Igreja reflete Cristo, havendo o perigo da autorrefencialidade, da Igreja se anunciar a si mesma. Como a Lua, que não tendo luz própria, reflete a luz do Sol, assim a Igreja, assim os cristãos. Vamos ao Seu encontro, deixemo-nos encontrar por Ele, coloquemo-l'O no centro.
       No primeiro dia de Novena, refletimos sobre a alegria de ser cristão. No segundo, do testemunho, neste terceiro dia, da dificuldade em dar testemunho, quando a fé é testada pela vida, pelos dias de chuva e sofrimento.
       Samta Teresa sentiu essas dificuldades. Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, a Imaculada Conceição, também viveu momentos de dúvida, questionando o Anjo, e tantos outros momentos em que tudo parecia correr contrário ao que seria expectável da parte de Deus. Mas confiou em Deus, deixou que a fé superasse a dúvida e que o medo desse lugar à confiança. Também assim é construir sobre a rocha, na oração, na escuta da Palavra de Deus, participando do Seu banquete.
       Por fim, outro aspeto... Terminou o Jubileu da Misericórdia. O Papa colocou em grande evidência a reflexão e sobretudo a prática das 14 obras de misercórdia, 7 corporais e 7 espirituais. O Pregador desafia a vivência de uma 15.ª Obra de Misericórdia: acordar os que estão a dormir. Acordarmos quem está a dormir e deixarmo-nos acordar quando adormecemos. Podemos ir a caminho de Emaús, mas deixemos que nos acordem para regressar e dar testemunho do Crucificado-Ressuscitado, como Santa Teresa, como Maria. Também isto é construir sobre a rocha.
       Por vezes a fé acaba, as famílias desfazem-se, a relação pais-filhos esmorece, porque alguém se ficou a dormir, descuidando-se de viver. Deus dá-nos dons. Qual a melhor maneira de os guardar? Pergunta feita pelo Pe. Joaquim. A melhor forma de guardar os dons é partilhá-los. Quanto mais gastarmos a vida, quanto mais vivermos, mais vida teremos...
       Também isto é construir sobre a rocha, para testemunhar Jesus. Ajuda-nos no caminho, Nossa Senhora da Conceição, intercedendo por nós, cuidando para que Jesus esteja no centro, incentivando-nos à escuta da Palavra que alimenta a nossa fé, que nos alimenta no caminho e nas dificuldades que vamos encontrando.

Acreditais que posso fazer o que pedis?

       Jesus pôs-Se a caminho e seguiram-n’O dois cegos, gritando: «Filho de David, tem piedade de nós». Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se d’Ele. Jesus perguntou-lhes: «Acreditais que posso fazer o que pedis?» Eles responderam: «Acreditamos, Senhor». Então Jesus tocou-lhes nos olhos e disse: «Seja feito segundo a vossa fé». E abriram-se os seus olhos. Jesus advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba». Mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra (Mt 9, 27-31).
       A atitude permanente de Cristo e dos Seus seguidores é o movimento. Jesus guarda um tempo importante para a oração, retirando-se para lugares mais isolados, por vezes em horários que outros se encotnram a domir, durante a noite. Mas mesmo estes momentos de silêncio, de oração e de isolamento têm um propósito dinâmico, não interrompe a caminhada, permitem uma maior vitalidade, maior confiança. A oração, a reflexão sobre a jornada encetada, permitem a Jesus levantar-Se com ganas de prosseguir.
       O Evangelho não sanciona os que cruzam os braços à espera de milagres, mas o que se fazem à estrada, mesmo correndo o risco de errar. Como tem vindo a acentuar o Papa Francisco acerca da Igreja, preferindo uma Igreja que sai, ainda que tenha acidentes, a um Igreja conformada, paralizada pela inércia, adoencendo na autoreferencialidade. Vale mais uma Igreja acidentada que doente.
       A primeira frase do texto é precisamente: Jesus pôs-Se a caminho. E dois cegos fazem o mesmo; não ficam a lamentar-se, vão atrás, seguem os passos de Jesus, deixam-se guiar pela luz da fé. Seguindo Jesus, os nossos olhos abrem-se definitivamente aos irmãos, aos que nos rodeiam.
       Por outro lado, o prodígio é um claro sinal que Jesus vem de Deus e que pretende para nós: vida em abundância.
       Acrescente-se ainda, que o bem realizado não precisa de ser badalado, comunica-se por si mesmo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Edifique a sua casa sobre a rocha

       Disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína» (Mt 7, 21.24-27).
       O cristão, para se afirmar como verdadeiros discípulo de Jesus Cristo, leva a sua fé à prática do bem. Não nos basta dizer que somos cristãos, que temos este nome que nos identifica com Jesus Cristo, é necessário que a nossa vida, a nossa relação com os outros e com o mundo que nos rodeia, esteja em conformidade com o mandamento do amor: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, em palavras e em obras.
       Quando o nosso nome de cristão é apenas uma capa exterior, logo que advenham as dificuldades ou desistimos ou culpamos Deus. O nosso infortúnio será para nós um duro golpe, a nossa vida interior e exterior desmoronar-se-á completamente.

Novena da Imaculada Conceição 2016 - segundo dia

       O segundo dia da Novena da Imaculada Conceição coincide com a Festa do Apóstolo Santo André, pelo que também ele figura na celebração e na pregação.
        O Pe. Joaquim Dionísio começou por apresentar um homem que viveu há muitos anos. Um homem simples que começou a pregar e que muitas pessoas simples se aproximavam para escutar. A sua forma de falar faziam com que muitos deixassem os seus afazeres para o escutarem e para o seguir. Deixavam o trabalho, os campos, os amigos e escutavam-nos com prazer. Mas não apenas falava, com a o anúncio curava, restituía a vista aos cegos, aos coxos e paralíticos devolviam o movimento, elevava-os e não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. E mais pessoas vinham para se encontrarem com Ele. A todos olhava com ternura. Anunciava o amor de Deus, agia com compaixão, perdoava, levantava os que andavam abatidos. Os que andavam cansados vinham ter com Ele. Os que estavam à beira do caminho, aqueles para quem ninguém olhava, ele vi-os e chamava-os. Sem se impor, propondo-se. Esse homem era Jesus. Hoje continua a falar-nos, a elevar-nos, a deixar que O sigamos.
        Alguns não gostavam nem das suas palavras nem do seu proceder. Prenderam-se, julgaram-no injustamente, mandaram-no crucificar. Os que estavam instalados sentiram-se ameaçados, apesar de Jesus anunciar a paz, a compaixão, o perdão. Passou fazendo o bem e Deus ressuscitou-O. Está no meio de nós. Vem ao nosso encontro. Antes da Ascensão, apareceu aos seus discípulos e disse-lhes: sois testemunhas de todas estas coisas. Das palavras cheias de esperança e dos gestos repletos de compaixão. Hoje somos nós as testemunhas destas coisas. Por isso viemos para nos encontrarmos com Jesus e O testemunharmos para que outros possam encontrá-l'O. Ser testemunha é presenciar e falar na hora certa do que viu e do que deve ser. Assim, teremos que ser testemunhas de Jesus. É a nossa identidade batismal, somos cristãos, para testemunhar o Cristo, o Filho de Deus, em toda a parte, em todos os nossos afazeres.
        Relembrando as palavras do Papa Paulo VI em Portugal, em 1967, o nosso tempo precisa, mais que Mestres precisa de testemunhas. Não de qualquer coisa, mas de Jesus. É Ele o centro, sempre. Nós passamos, Ele permanece. É por ele que estamos em novena, vimos à Missa, e por causa d'Ele que rezamos. Antes os cristãos dividiam-se em praticantes e não praticantes. Citando o nosso Bispo, o mundo de hoje precisa de cristãos que sejam mais que praticantes, sejam apaixonados por Jesus Cristo, para dessa forma O comunicarem com paixão, denunciando as injustiças, anunciando-O em todos os ambientes, respeitando os outros, propondo não impondo, mas intervindo. A fé comunica-se por atração (Bento XVI).
        Propomos Jesus em todos os momentos, não somos cristãos de pastelaria (Papa Francisco). Na pastelaria, tudo é doce. A vida tem as suas dificuldades, nestas precisamos de anunciar Jesus, pelo amor, onde tudo começa e tudo acaba.
        Santo André foi ao encontro de Jesus, deixou-se tocar pela Sua palavra e pela Sua compaixão. Segui-O, tornou-se testemunha, até derramar o sangue por Ele. Assim, Maria, que invocamos como Nossa Senhora da Conceição, também Ela foi testemunha, vivendo com paixão a sua fé, comunicando-a. Ainda hoje continua a interceder por nós, a testemunhar o amor de Deus, a apontar-nos para Jesus.
       Na parte final, o Pe. Joaquim utilizou uma estória. Um homem que foi convocado pelo Rei. Este homem ficou assustado e recorreu aos seus amigos. Tinha três amigos. O mais íntimo, o número 1, encontrava-se com ele todos os dias, a todas as horas, eram inseparáveis. Com amigo número 2 encontrava-se uma vez por semana e quando calhava. Ao amigo número três encontravam uma vez por mês, de longe a longe. Foi ter com o número um que lhe respondeu, nem pensar, pede-me tudo, menos isso. O número dois disse-lhe que o acompanhava mas ficaria à porta, não entraria. Foi então ter com o amigo número três que imediatamente se disponibilizou a acompanhá-lo à presença do Rei. O homem somos nós. O Rei é Deus. A convocação para ir à Sua presença é o momento da nossa morte. O amigo número um são as coisas que nos ocupam e preocupam, deixamo-las todas, nenhuma seguirá connosco. O amigo número dois são os nossos familiares e amigos, acompanham-nos, mas ficam à porta, do cemitério. O amigo número três é o bem que fazemos, acompanham-nos para a eternidade. Ser testemunha de Jesus é optar pelo amigo número três e colocá-lo em primeiro lugar. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Novena da Imaculada Conceição 2016 - Primeiro Dia

       A grande festa da comunidade paroquial é a festa da Sua Padroeira, a Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro. Ela é também a Madrinha dos Bombeiros, a Padroeira da Santa Casa da Misericórdia, e a referência de toda a paróquia e dos seus grupos.
       Antes da festa a preparação. Nove dias, uma novena, numa espécie de retiro aberto, com a celebração do Terço, com a celebração da Eucaristia e com a Pregação. Este ano a pregação está a cargo do Pe. Joaquim Dionísio, Reitor do Seminário Maior de Lamego, Diretor da Voz de Lamego.
       O Pregador, neste primeiro dia, começou por nos situar "onde estávamos"... em Tabuaço, na Igreja, na casa de Jesus? Estamos em nossa casa, disse. Em casa sentimo-nos bem. Não estamos a mais. De outros lados podemos ser enxotados, mas não de nossa casa. Vimos e sentimo-nos em casa. Sentimo-nos bem porque viemos a um encontro com Deus, que nos ama.
       O Pe. Joaquim continou a questionar: o que nos deixa felizes? Muitas respostas podíamos dar: estar em família, ter saúde, ter trabalho, viajar... Mas o mais importante é saber que alguém nos ama. Estejamos onde estivermos, se alguém gosta de nós, isso deixa-nos felizes. Claro que há dificuldades... A fé não nos livra dos problemas, mas dá-nos a esperança para não desistir.
       Começamos esta Novena como um encontro, em nossa casa, com Maria, em alegria. Saber que alguém gosta de nós, é motivo para estarmos contentes, como Jesus. "Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo...". A alegria de estarmos em casa e de nos sabermos amados. A alegria que queremos partilhar.
       Em novena para escutar. Há diferenças entre escutar e ouvir... ouvimos muitas coisas, escutar é com a consciência, com o coração como Maria, que Deus nos dá por Mãe. A NOVENA há de ser tempo de encontro, de escuta para obedecer. Como Maria, que escuta e se dispõe a fazer a vontade do Senhor: eis a serva. Fazer-se pequenino. "Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos" (Lc 10, 21-24). Fazer-se pequenino para crescer. Quem é grande não tem espaço para crescer. O pecado de Adão e Eva foi quererem ser como Deus ao ponto de O dispensar. Ser pequenino para escutar. Escutar para obedecer a Deus. Seguindo Maria que nos manda fazer tudo o que Jesus nos diz. É o nosso propósito ao iniciarmos esta novena, em casa, com Maria, num encontro com Alguém que nos ama, com Jesus, para experimentarmos a alegria.

Festa de Santo André, Apóstolo

Nota biográfica:
       André é irmão de Simão Pedro e é natural de Betsaida.
       O nome é de origem grega e não hebraica. Na lista dos Apóstolos aparece em segundo lugar, e outras vezes em quarto. Gozava de um enorme prestígio nas comunidades cristãs do início. É, juntamente com Pedro, dos primeiros a ser chamado por Jesus: "Caminhando ao longo do mar da galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens»" (Mt 4, 18-19; Mc 1, 16-17). O quarto Evangelho dá-nos a informação que ele foi primeiramente discípulo de João Baptista e depois seguiu a Cristo, a quem apresentou também seu irmão Pedro (Jo 1, 36-43).
       A Igreja Bizantina honra-o como Protóklitos, isto é o primeiro chamado por Jesus.
       Os Evangelho apresentam André em outras ocasiões: aquando da multiplicação dos pães, dizendo a Jesus que havia um jovem que tinha cinco pães de cevada e dois peixes, mas insuficiente para tanta gente (Jo 6, 8-9); quando Jesus refere que do Templo não ficará pedra sobre pedra, apesar da solidez da construção, então juntamente com Pedro e João, André interroga Jesus: "Diz-nos quando isto acontecerá e qual o sinal de que tudo está para acabar?" (Mc 13, 1-4); próximo da Páscoa, antes da Paixão, vêm à cidade alguns gregos e manifestam o desejo de ver Jesus e é André e Filipe que servem de intérpretes (Jo 12, 23-24). Depois do Pentecostes, segundo uma tradição, pregou em diversas regiões e foi crucificado na Acaia.
       A tradição narra a morte de André em Petrasso, onde sofreu o suplício da crucifixão e à semelhança de Pedro pediu para ser crucificado de maneira diferente á do Mestre, tendo sido crucificado numa cruz decussada, cruzada transversalmente e inclinada, e que ficou conhecida como a "cruz de Santo André".
       Portanto, diz-nos o Papa Bento XVI, "o apóstolo André ensina-nos a seguir Jesus com prontidão (cf (Mt 4,20; Mc 1, 18), a falar com entusiasmo d'Ele a quantos encontrarmos, e sobretudo a cultivar com Ele um relacionamento de verdadeira familiaridade, bem conscientes de que só n'Ele podemos encontrar o sentido último da nossa vida e da nossa morte".

Oração de coleta:
       Nós Vos suplicamos, Deus omnipotente, que, assim como o apóstolo Santo André foi na terra pregador do Evangelho e pastor da vossa Igreja, seja também no Céu poderoso intercessor junto de Vós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo

BENTO XVI SOBRE SANTO ANDRÉ, o Protóklitos 
Queridos irmãos e irmãs!
Nas últimas duas catequeses falámos da figura de São Pedro. Agora queremos, na medida em que as fontes o permitem, conhecer mais de perto também os outros onze Apóstolos. Portanto, falamos hoje do irmão de Simão Pedro, Santo André, também ele um dos Doze. A primeira característica que em André chama a atenção é o nome: não é hebraico, como teríamos pensado, mas grego, sinal de que não deve ser minimizada uma certa abertura cultural da sua família. Estamos na Galileia, onde a língua e a cultura gregas estão bastante presentes. Nas listas dos Doze, André ocupa o segundo lugar, como em Mateus (10, 1-4) e em Lucas (6, 13-16), ou o quarto lugar como em Marcos (3, 13-18) e nos Actos (1, 13-14). Contudo, ele gozava certamente de grande prestígio nas primeiras comunidades cristãs.
O laço de sangue entre Pedro e André, assim como a comum chamada que Jesus lhes faz, sobressaem explicitamente nos Evangelhos. Neles lê-se: "Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu os dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: "Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens"" (Mt 4, 18-19; Mc 1, 16-17). Do Quarto Evangelho tiramos outro pormenor: num primeiro momento, André era discípulo de João Baptista; e isto mostra-nos que era um homem que procurava, que partilhava a esperança de Israel, que queria conhecer mais de perto a palavra do Senhor, a realidade do Senhor presente. Era verdadeiramente um homem de fé e de esperança; e certa vez, de João Baptista ouviu proclamar Jesus como "o cordeiro de Deus" (Jo 1, 36); então ele voltou-se e, juntamente com outro discípulo que não é nomeado, seguiu Jesus, Aquele que era chamado por João o "Cordeiro de Deus". O evangelista narra: eles "viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia" (Jo 1, 37-39). Portanto, André viveu momentos preciosos de familiaridade com Jesus.
A narração continua com uma anotação significativa: "André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus. Encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: "Encontramos o Messias" que quer dizer Cristo. E levou-o até Jesus" (Jo 1, 40-43), demonstrando imediatamente um espírito apostólico não comum. Portanto, André foi o primeiro dos Apóstolos a ser chamado para seguir Jesus. Precisamente sobre esta base a liturgia da Igreja Bizantina o honra com o apelativo de Protóklitos, que significa exactamente "primeiro chamado". E não há dúvida de que devido ao relacionamento fraterno entre Pedro e André a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla se sentem irmãs entre si de modo especial. Para realçar este relacionamento, o meu Predecessor, o Papa Paulo VI, em 1964, restituiu as insignes relíquias de Santo André, até então conservadas na Basílica Vaticana, ao Bispo metropolita Ortodoxo da cidade de Patrasso na Grécia, onde segundo a tradição o Apóstolo foi crucificado.
As tradições evangélicas recordam particularmente o nome de André noutras três ocasiões, que nos fazem conhecer um pouco mais este homem. A primeira é a da multiplicação dos pães na Galileia. Naquele momento foi André quem assinalou a Jesus a presença de um jovem que tinha cinco pães de cevada e dois peixes: era muito pouco observou ele para todas as pessoas reunidas naquele lugar (cf. Jo 6, 8-9). Merece ser realçado, neste caso, o realismo de André: ele viu o jovem portanto já se tinha perguntado: "mas o que é isto para tantas pessoas?" (ibid.) mas apercebeu-se da insuficiência dos seus poucos recursos. Contudo, Jesus soube fazê-los bastar para a multidão de pessoas que vieram ouvi-lo. A segunda ocasião foi em Jerusalém. Saindo da cidade, um discípulo fez notar a Jesus o espectáculo dos muros sólidos sobre os quais o Templo se apoiava. A resposta do Mestre foi surpreendente: disse que não teria ficado em pé nem sequer uma pedra daqueles muros. Então André, juntamente com Pedro, Tiago e João, interrogou-o: "Diz-nos quando tudo isto acontecerá e qual o sinal de que tudo está para acabar" (Mc 13, 1-4).
Para responder a esta pergunta Jesus pronunciou um importante discurso sobre a destruição de Jerusalém e sobre o fim do mundo, convidando os seus discípulos a ler com atenção os sinais do tempo e a permanecer sempre vigilantes. Podemos deduzir deste episódio que não devemos ter receio de fazer perguntas a Jesus, mas ao mesmo tempo devemos estar prontos para receber os ensinamentos, até surpreendentes e difíceis, que Ele nos oferece.
Por fim, nos Evangelhos está registrada uma terceira iniciativa de André. O Cenário ainda é Jerusalém, pouco antes da Paixão. Para a festa da Páscoa narra João tinham vindo à cidade santa alguns Gregos, provavelmente prosélitos ou tementes a Deus, que vinham para adorar o Deus de Israel na festa da Páscoa. André e Filipe, os dois apóstolos com nomes gregos, servem como intérpretes e mediadores deste pequeno grupo de Gregos junto de Jesus. A resposta do Senhor à sua pergunta parece como muitas vezes no Evangelho de João enigmática, mas precisamente por isso revela-se rica de significado. Jesus diz aos dois discípulos e, através deles, ao mundo grego: "Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto" (12, 23-24).
O que significam estas palavras neste contexto? Jesus quer dizer: sim, o encontro entre mim e os Gregos terá lugar, mas não como simples e breve diálogo entre mim e algumas pessoas, estimuladas sobretudo pela curiosidade. Com a minha morte, comparável à queda na terra de um grão de trigo, chagará a hora da minha glorificação. A minha morte na cruz originará grande fecundidade: o "grão de trigo morto" símbolo de mim crucificado tornar-se-á na ressurreição pão de vida para o mundo; será luz para os povos e para as culturas. Sim, o encontro com a alma grega, com o mundo grego, realizar-se-á naquela profundidade à qual faz alusão a vicissitude do grão de trigo que atrai para si as forças da terra e do céu e se torna pão. Por outras palavras, Jesus profetiza a Igreja dos gregos, a Igreja dos pagãos, a Igreja do mundo como fruto da sua Páscoa.
Tradições muito antigas vêem em André, o qual transmitiu aos gregos esta palavra, não só o intérprete de alguns Gregos no encontro com Jesus agora recordado, mas consideram-no como apóstolo dos Gregos nos anos que sucederam ao Pentecostes; fazem-nos saber que no restante da sua vida ele foi anunciador e intérprete de Jesus para o mundo grego. Pedro, seu irmão, de Jerusalém, passando por Antioquia, chegou a Roma para aí exercer a sua missão universal; André, ao contrário, foi o apóstolo do mundo grego: assim, eles são vistos, na vida e na morte, como verdadeiros irmãos uma irmandade que se exprime simbolicamente no relacionamento especial das Sedes de Roma e de Constantinopla, Igrejas verdadeiramente irmãs.
Uma tradição sucessiva, como foi mencionado, narra a morte de André em Patrasso, onde também ele sofreu o suplício da crucifixão. Mas, naquele momento supremo, de modo análogo ao do irmão Pedro, ele pediu para ser posto numa cruz diferente da de Jesus. No seu caso tratou-se de uma cruz decussada, isto é, cruzada transversalmente inclinada, que por isso foi chamada "cruz de Santo André". Eis o que o Apóstolo dissera naquela ocasião, segundo uma antiga narração (início do século VI) intituladaPaixão de André: "Salve, ó Cruz, inaugurada por meio do corpo de Cristo e que se tornou adorno dos seus membros, como se fossem pérolas preciosas. Antes que o Senhor fosse elevado sobre ti, tu incutias um temor terreno.
Agora, ao contrário, dotada de um amor celeste, és recebida como um dom. Os crentes sabem, a teu respeito, quanta alegria possuis, quantos dons tens preparados. Portanto, certo e cheio de alegria venho a ti, para que também tu me recebas exultante como discípulo daquele que em ti foi suspenso... Ó Cruz bem-aventurada, que recebestes a majestade e a beleza dos membros do Senhor!... Toma-me e leva-me para longe dos homens e entrega-me ao meu Mestre, para que por teu intermédio me receba quem por ti me redimiu. Salve, ó Cruz; sim, salve verdadeiramente!".
Como se vê, há aqui uma profundíssima espiritualidade cristã, que vê na Cruz não tanto um instrumento de tortura como, ao contrário, o meio incomparável de uma plena assimilação ao Redentor, ao grão de trigo que caiu na terra. Nós devemos aprender disto uma lição muito importante: as nossas cruzes adquirem valor se forem consideradas e aceites como parte da cruz de Cristo, se forem alcançadas pelo reflexo da sua luz. Só daquela Cruz também os nossos sofrimentos são nobilitados e adquirem o seu verdadeiro sentido.
Portanto, o apóstolo André ensina-nos a seguir Jesus com prontidão (cf. Mt 4, 20; Mc 1, 18), a falar com entusiasmo d'Ele a quantos encontramos, e sobretudo a cultivar com Ele um relacionamento de verdadeira familiaridade, bem conscientes de que só n'Ele podemos encontrar o sentido último da nossa vida e da nossa morte.
Saudação em Língua portuguesa:
Amados irmãos!
Nossa Catequese de hoje se centra na figura do Apóstolo André, irmão de Pedro. A Igreja bizantina honra-o com o nome deProtóklitos, ou seja o que foi "chamado por primeiro", por ter sido o primeiro entre os apóstolos a seguir o Senhor. Depois dele viriam todos os demais, antes de mais Pedro, a quem o Messias confiara a sua Igreja. André foi o apóstolo do mundo grego; por isso, ele exprime uma simbólica aliança entre a Igreja de Roma e a de Constantinopla.
Ao recorrer à intercessão deste grande apóstolo, peço a todos os peregrinos presentes de língua portuguesa, especialmente aos grupos vindos de Portugal e do Brasil, que rezem pela unidade da Igreja e pela comunhão de todos os cristãos. Com a minha Bênção Apostólica.

BENTO XVI, Os Apóstolos e os Primeiros Discípulos de Cristo. As origens da Igreja. Editorial Franciscana: Braga 2008.